sábado, 19 de julho de 2014

JULHO/2014: ESCHIZOPHRENIAS DA DIGRAPHIA


Questão das mais primordiaes me propõe o leitor Ataulpho Barrozo: "Você
é capaz de esclarecer por que os americanos e inglezes escrevem BRAZIL
com 'Z' e BRASILIA com 'S'? Esta não seria mais uma das incongruencias
daquelle idioma, ao lado de PARALYMPICS e de PAROXYTON? Aproveitando a
pergunta, Glauco, que tal averiguar por que, para elles, AUCTOR é
AUTHOR?"


Bem lembrado, Ataulpho. E sempre é bom lembrar que a lingua ingleza é
das mais conservadoras. Elles nunca mudam um graphema, ainda que outros
idiomas o façam. Elles escrevem BRAZIL como nós mesmos escreviamos até o
seculo XIX e escrevem BRASILIA porque nós mesmos começamos a escrever
assim desde que a cidade foi projectada, ja no seculo XX. Si nós mudamos
de "Z" para "S" no nome do paiz, elles nem tomaram conhecimento. Si nós
mudassemos de "S" para "Z" no nome da capital, elles continuariam a
graphar BRASILIA. Mas o que realmente importa é a razão da nossa graphia
com "Z". Até o seculo XIX a forma usual era BRAZIL e BRAZA, como consta
do diccionario Aulete, cuja edição original é de 1881. Ja no seculo XX
foi se firmando a forma BRASIL ao lado de BRASA, mesmo antes da reforma
phoneticista de 1943. O diccionario Lello registra BRASIL, embora
admitta BRASA ao lado de BRAZA, e o MANUAL ORTHOGRAPHICO de Julio
Nogueira confirma o gentilico BRASILEIRO. Em these, ambas as formas
seriam acceitaveis, mas, tractando-se do nome do paiz, seria de esperar
que houvesse uma graphia official. Si considerarmos a moeda corrente
como documento fidedigno, basta constatar que, nas antigas cedulas, o
paiz se chamava REPUBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRAZIL, e estaria
encerrada a questão. Quanto à capital, bastaria recordar que o titulo de
seu principal jornal é CORREIO BRAZILIENSE e que tal nome remonta ao
orgam homonymo do seculo anterior. Assim sendo, um etymologista cioso e
sciente deveria preferir BRAZA, BRAZIL, BRAZILEIRO, BRAZILIA e
BRAZILIENSE, como eu mesmo me inclino a adoptar, a despeito dos
desavisados que acreditam ser a forma com "Z" mero anglicismo.


Quanto ao substantivo commum AUCTOR, que herdamos do latim, os inglezes
tendem à forma AUTHOR mais por questão da pronuncia delles. Pelo mesmo
motivo grapham o nome proprio ARTHUR e não ARCTUR, do latim ARCTURUS,
como deveria ser. Mas ahi ja não é questão da nossa competencia. Ja
temos problemas de sobra com nossas proprias crises de identidade, visto
que somos o paiz do futuro mas nem siquer fomos capazes de nos baptizar
officialmente no passado...


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sábado, 7 de junho de 2014

JUNHO/2014: DILEMMAS DA DIGRAPHIA


Um de meus consulentes, Raony Gonçalves, cobra-me firme posição quanto à
digraphia entre CHIMICA e CHYMO, ja que ambos os graphemas teem a mesma
origem. De facto, o affixo CHYMIO, implicando noção de succo ou liquido,
é o mesmo que enraiza a familia das palavras CHIMICA, ALCHIMIA,
CHIMIOTHERAPIA, BIOCHIMICA, tal como vem crystallizada nos diccionarios,
ao passo que apenas a palavra CHYMO e sua correspondente CHYMIFICAÇÃO,
referentes ao succo digestivo, apparecem com o devido "Y". Mais uma das
incoherencias do systema mixto que perdurou em nosso idioma até a
malfadada reforma phonetica da decada de 1940. O idioma inglez tirou da
recta substituindo o "Y" pelo "E", como em CHEMISTRY ou CHEMICAL,
emquanto o francez acceita o "I", respectivamente, em CHIMIE e CHIMIQUE.
Bastaria observar a matriz latina CHYMICA, mais fiel à origem grega, e
tudo estaria resolvido. Ao etymologista rigoroso resta restaurar o
graphema correcto e unificar toda a familia: CHYMO, CHYMIFICAR, CHYMICA,
ALCHYMIA, etc. Muito opportuna a cobrança do Raony, que passo a
considerar no meu diccionario.


Outra duvida suscitada pelo idioma inglez está no termo PARALYMPICS,
usado para designar os athletas com alguma deficiencia physica nas
olympiadas parallelas à competição official. Nada justifica tal forma em
portuguez, pois o correcto é PAROLYMPIADA e PAROLYMPICO. Até no inglez
está errado, pois tambem para elles o prefixo grego PARA não permanesce
invariavel nas assimilações, donde as formas PARONOMASIA e PAROXYTON
que, no portuguez, existem accentuadas como "PARONOMÁSIA" e "PAROXÍTONO"
na graphia reformada e como PARONOMASIA e PAROXYTONO na etymologica. O
mesmo occorre com PARESTHESIA ou PARELECTRICO, ja que affixos como
ONOMATO e ESTHETO teem preferencia e obrigam o prefixo PARA a perder o
segundo "A", que só se conserva quando o elemento pospositivo ja tem a
mesma inicial, como em PARATHLETA e PARALDEHYDO, ou quando o pospositivo
começa por consoante, como em PARAMILITAR e PARAPHRASE. Portanto, a
traducção correcta é PAROLYMPICO, como em PARONOMASIA, PARONYMO,
PAROXYTONO ou PARODIA. Não ha o que discutir si quizermos manter a norma
vernacula.


Concluindo por aqui, respondo à pergunta de Magdalena Baptista sobre as
formas ARCTICO e ANTARCTICO. Claro que taes palavras nunca deveriam ser
"reformadas" para "ÁRTICO" e "ANTÁRTICO", pois são parentes do affixo
ARCTO, que significa "urso" e differe de ARTO, que significa "pão". Si
dissermos que alguem se alimenta de pão, em latim ficaria PANIVORO e em
grego ARTOPHAGO. Si alguem se alimentasse de carne de urso, seria
ARCTOPHAGO. Logo, é obvio que as regiões ARCTICA e ANTARCTICA teem taes
nomes por causa dos ursos polares, suppostos habitantes de todas as
regiões geladas. Si taes regiões se chamassem "ÁRTICA" e "ANTÁRTICA",
seria por causa da abundancia de pão ou de padeiros por aquellas bandas,
ora, pois, pois!


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sábado, 10 de maio de 2014

MAIO/2014: O REI REINA E REGE COM MAGESTADE

Um attento leitor chamado Geronymo acha que seu nome foi incorrectamente
registrado e que devia ser Jeronymo. Scismado com o emprego do "G" pelo
"J" na antiga orthographia, elle me interpella: "Por que tu graphas
MAGESTADE com 'G' e evitas escrever GEITO, AGEITAR, DESAGEITADO, etc.?
Não são erroneas ambas as formas? O facto de serem taes palavras assim
graphadas por tradição seria sufficiente para as legitimar?"

Excellente questão, que merece exame mais detido. Quando optei pela
forma MAGESTADE, não me respaldei só na tradição. Primeiro considerei o
que commentou Julio Nogueira no MANUAL ORTHOGRAPHICO BRASILEIRO, que
transcrevo entre chaves:

{Em algumas palavras os motivos de confusão entre o "G" e o "J" ja
vieram do latim. Assim que ao lado de MAGIS, MAGISTER encontram-se as
graphias MAJOR, MAJESTAS, palavras corradicaes. Dahi a indecisão
graphica do portuguez: MAGESTADE - MAJESTADE. No latim, onde o "G" era
sempre guttural, a pronuncia orientava a graphia. Em portuguez, porem, o
"G" anterior a "E", "I", "Y" teve o mesmo valor de "J" e, assim,
MAJESTADE - MAGESTADE são representações perfeitas. Como resolver,
então, o problema? A uniformização seria difficilmente acceita.
MAJESTADE, que é a melhor graphia, não seria recusada pelos que escrevem
MAGESTADE; raros, porem, se conformariam com MAJISTRAL. O melhor,
pensamos, será appoiar-se na graphia das palavras correspondentes no
latim, a que cabem as culpas, donde MAJESTADE, MAJESTOSO, ao lado de
MAGICO, MAGISTRADO, MAGISTRAL, MAGISTERIO.}

Ora, adduzo eu, succede que o "J" só se impõe quando corresponde ao "I",
como em MAIOR, MAIORIDADE, MAJOR, MAJORITARIO. Fora disso, julgo que o
"G" se colloca mais de accordo com a maioria dos cognatos, como em
MAGESTADE, MAGISTRADO, alem de respeitar o costume arraigado em
portuguez, sem fallar que o "G" se recommenda em situações analogas,
como LAGE ou PAGEM. Adopto, pois, MAGESTADE, a despeito do inglez
MAJESTY ou do francez MAJESTÉ.

Quanto ao "G" em GEITO, creio que fica desajeitado, pois todos os
cognatos são com "J", como JACTO, JACTANCIA, DEJECTO, INJECTAVEL,
PROJECTO ou SUJEITO. Dahi minha opção pela forma JEITO, a despeito da
tradição vernacula.

Essa margem de duvida serve, entretanto, para evidenciar que a matriz
latina nem sempre é absoluta na formação da matriz vernacula
conservadora. Por exemplo, HOJE viria de HOC DIE, emquanto HONTEM viria
de AD NOCTEM. A rigor, deveria ser HOJE e "ANNOITE", mas, ja que a forma
actual perdeu o prefixo "AD", manda a tradição que HONTEM siga HOJE por
analogia, como occorre com AFFIM, AFFINIDADE e AFFINAL. Qualquer
proposta que elimine o "H" deve ser entendida como manobra reformista e
repudiada pelos etymologistas convictos.

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sábado, 5 de abril de 2014

FALLE COMNOSCO ARROBA CORRECTOR ORTHOGRAPHICO [ABRIL/2014]

Questões enviadas a mattosog@gmail.com por Pedro da Silva Coelho, de
Portugal:


(1) Pedro considera, apoiado (ou APPOIADO, como elle sustenta) em boa
fundamentação, que o prefixo latino "AD" seja preservado em verbos como
ADNEXAR, ADNOTAR ou ADNUMERAR, bem como nos substantivos ADJUDA e
ADQUISIÇÃO.


(2) Pedro aponcta no substantivo MODELLO um duplo "L" existente no latim
vulgar MODELLUM, cujo equivalente italiano manteve a geminação, e indaga
por que graphei "MODELO".


(3) Pedro indaga por que não grapho AMAL-O-HEI ou COMEL-O-HIA e sim
AMAL-O-EI e COMEL-O-IA nas conjugações mesocliticas, ja que o "H" não
deveria cahir do verbo HAVER implicito nas mesoclises.


Respondo nestes termos:


O prefixo "AD" soffre assimilação deante de pospositivos iniciados pela
consoante "N", como em ANNEXAR e ANNOTAR. Pelas normas do proprio latim,
a assimilação não occorre deante das consoantes "M" ou "J", por exemplo.
Dahi a razão para não existirem os verbos "AMMIRAR" ou "AMMINISTRAR" e
sim ADMIRAR e ADMINISTRAR. No caso da lettra "J", seriam acceitaveis as
formas ADJUDA e ADJUDANTE (ja que existe ADJUTORIO) ou ADJUNCTAR (ja que
existe ADJUNCTO), ao lado de AJUDA e AJUNCTAR. Quanto às formas
ADNUMERAR e ADQUISIÇÃO, são casos à parte. Como não tem uso o verbo
ANNUMERAR (que na graphia phonetica viraria "ANUMERAR"), prevalesce o
"D", inclusive na pronuncia. E como não existe geminação do "Q" que
permitta a forma "AQQUISIÇÃO", convencionou-se que o digramma "CQ"
substitue a geminação. Assim, do verbo ADQUIRIR (cujo "D" se pronuncia)
vem o deverbal ACQUISIÇÃO.


Quanto ao verbo APPOIAR e ao deverbal APPOIO, a assimilação é acceitavel
por resultar do encontro AD+PODIUM, que deu APPODIARE. Conforme a
tabella do DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO, AD+P = APP.


Algumas palavras terminadas em ELLO ou ELLA nos veem do italiano, como
POLICHINELLO e SENTINELLA, sem necessidade da authenticação latina. Mas,
quando a matriz latina, embora vulgar, ja registra o duplo "L", nada
resta a questionar. Assim como PELLO, PULLO ou PASTELLARIA, de PILLUS,
PULLARE e PASTELLUM, respectivamente, sem duvida acceito MODELLO, de
MODELLUM. Si graphei com um só "L", foi cochilo.


Quanto ao desapparecimento do "H" nas mesoclises, transcrevo trecho do
MANUAL ORTHOGRAPHICO BRASILEIRO de Julio Nogueira, com quem concordo
neste poncto:


{Nas formas do futuro: AMAREI, CANTAREI, DEVEREI, SENTIREI, POREI,
FAREI, DIREI, TRAREI, etc., é o verbo HAVER agglutinado, nas suas
linguagens contractas, despido do "H" etymologico, como em outras
linguas romanicas. Escrevendo-se AMAREI, AMARIA, não deve haver
escrupulos em escrever-se: AMAL-O-EI, AMAL-O-IA, AMAL-O-EMOS,
AMAL-O-IAMOS, etc. Ninguem escreve AMARHEI, AMARHIA mas alguns apegam-se
ao "H" nos casos de tmese: AMAL-O-HEI, DIL-O-HIA, etc., graphias pouco
coherentes e que tendem a desapparecer espontaneamente.}


Questão enviada a mattosog@gmail.com por Moysés Greenbaum, que usa o
appellido de Berimbaum:


"Diga-me, Glauco, você não acha incoherente que pela orthographia
official se escreva EXCEÇÃO ao lado de EXCEPCIONAL? Como se explica
isso?"


Respondo nestes termos:


Sim, Berimbaum, essa é uma das innumeras incoherencias decorrentes das
reformas phoneticistas. Allegando que a lettra "P" não se pronuncia nas
palavras "EXCEÇÃO" e "EXCETO", grapham EXCEPCIONAL, mas manteem o "P"
nos cognatos CONCEPÇÃO, DECEPÇÃO, PERCEPÇÃO e RECEPÇÃO. O peor é que em
Portugal ja se grapha "RECEÇÃO", que na prosodia se confunde com
RECESSÃO! Daqui a pouco vão querer graphar, por aqui tambem, "CONCEÇÃO"
e "DECEÇÃO", o que me deixaria decepcionado. Mas para nós,
etymologistas, tal concepção não tem cabimento e não faremos tal
concessão, não é mesmo?


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sábado, 8 de março de 2014

FALLE COMNOSCO ARROBA CORRECTOR ORTHOGRAPHICO [MARÇO/2014]


Trez questões enviadas a mattosog@gmail.com por Yuri Barros Silva, um
dos twitteiros que adheriram ao systema etymologico:


(1) Yuri indaga por que adopto a terminação "ÉA", si ella é responsavel
pela collocação de mais um accento, e si não seria melhor graphar como
se grapha hoje, inclusive pelo novo "aborto orthographico", sem accento,
sendo assim PLEBEIA, IDEIA e PHILISTEIA.


(2) Qual a explicação para a graphia de LAMPEÃO, com "E"? Seria uma mera
escolha feita por conta da digraphia existente (assim como em VIADO e
VEADO, onde a segunda tem a preferencia) ou existe um etymo latino que
justifica isso? Em francez se diz LAMPION, com "I".


(3) Yuri me chama a attenção para o facto de que a palavra BOLLA deveria
ser escripta assim, com "L" duplo, ja que vem do latim BULLA e seu uso
nesta forma está respaldado em classicos da lingua, como Camillo
Castello Branco.


Respondi nestes termos:


No caso de LAMPEÃO, é mais devido à tradição da lingua que à etymologia,
não importando o equivalente francez. Affinal, graphamos CAMPEÃO e LEÃO,
emquanto os francezes escrevem CHAMPION e LION. Ademais, outros casos
teem preferencia com "E", como CREAR ou VEADO.


Ja a terminação "ÉA" eu respeito por força duma tradição arraigada,
embora lamente o accento. Não posso abrir mão della porque, si
admittisse a forma "EIA", estaria acceitando que ALDEIA se pronuncia
como "IDEIA", o que só é verdade em Portugal mas não aqui, onde uma tem
vogal aberta e outra fechada. Em nome da differenciação, acceito o
accento e mantenho IDÉA ao lado de ALDEIA.


Quanto ao substantivo BOLLA, o facto de ja existir BULLA em portuguez,
com significado mais especifico, não impede que o rigor etymologico se
applique tambem à forma com vogal "O" em logar de "U". Si de BUCCA vem
BOCCA, alem do adjectivo BUCCAL, de BULLA viria BOLLA, logicamente. Yuri
lembrou bem e fico grato a collaboradores como elle. Convem lembrar que
BOLLO tem provavel origem em BOLLA e documentos da lingua o attestam.
Temos de ficar attentos, portanto, aos derivados de BOLLA e BOLLO:
BOLLÃO, BOLLAR, EMBOLLAR, REBOLLAR, EMBOLLADA, REBOLLADO, etc.


Questão enviada a mattosog@gmail.com por Jurema Di Giorgio, professora
de portuguez na rede publica e adepta da etymographia:


"Meus alumnos ja me perguntaram por que os reformadores não aproveitaram
o ultimo accordo orthographico para abolir o 'H' de HUMANO e HONRA, ja
que foi abolido de DESHUMANO e DESHONRA. Na lingua italiana, que tem
orthographia phonetica, o 'H' desappareceu de UMANO e ONORE."


Respondi nestes termos:


Isso só corrobora a incoherencia e a inefficiencia dessas reformas
pretensamente phoneticas no portuguez. O italiano tem tradição
simplificadora desde a origem; o portuguez, não. Qualquer tentativa de
reforma orthographica no nosso idioma tende a sahir meia bocca. Ja que é
assim, insisto, para que mexer no que estava quieto? Melhor manter
HUMANO e DESHUMANO, SCIENCIA e CONSCIENCIA, HONTEM e ANTEHONTEM, SCENA e
ENSCENAÇÃO, como escreviamos até 1943.


Questão enviada a mattosog@gmail.com por Paulo de Almeida Junior,
jornalista e blogueiro:


"Si RIMA e RHYTHMO teem a mesma origem, por que não adoptar a forma
RHYTHMA? Sei que você vae dizer que quer evitar confusão entre os verbos
RIMAR e RHYTHMAR, mas daria para adoptar uma parcial forma etymologica,
que seria RHYMA, não daria? Em inglez deu..."


Respondi nestes termos:


Sim, Paulo, até accrescentei RHYMA e RHYMAR às formas simplificadas no
meu DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO, a despeito da forma franceza RIME. Neste
caso occorre um dilemma, pois, si de um lado repudiamos as
simplificações radicaes, de outro tenho reservas quanto a formas
intermediarias entre a etymologia e a phonetica, taes como THISICA em
logar de PHTHISICA (para se approximar de "TÍSICA") ou DITHONGO em logar
de DIPHTHONGO (para se approximar de "DITONGO"), mas inclino-me a dar
razão à sua these.


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sábado, 8 de fevereiro de 2014

FEVEREIRO/2014: A GERMINAÇÃO DA GEMINAÇÃO

Fico enthusiasmado quando ganho mais um adepto da graphia classica que
practico. Agora é o euphonico Evandro de Albuquerque Queiroz quem me
consulta sobre um dos principaes "mysterios" do systema. Pergunta elle:


"Por que usamos duplo 'P' em APPRECIAR e APPROVAR mas não usamos em
APRESENTAR e APROMPTAR? Como differenciar cada caso, si é que existe um
methodo efficaz?"


A pergunta procede, pois, como observa o Evandro, todos esses verbos
teem matriz latina, correspondendo respectivamente aos cognatos de
PREÇO, PROVA, PRESENTE e PROMPTO.


Em principio, cabe dizer que a origem do "P" geminado está no prefixo
"AD" que, assimilado pelo "P" inicial do vocabulo pospositivo, resulta
na transformação do "D" em "P", ou seja, de AD+PRECIAR vem APPRECIAR e
de AD+PROVAR vem APPROVAR. Ja no caso de PRESENTE e PROMPTO, não seria o
prefixo "AD" e sim um "A" prothetico o elemento prepositivo na
composição dos verbos APRESENTAR e APROMPTAR, uma vez que taes vocabulos
não existiriam no latim e teriam sido formados ja no portuguez. Em
these, a explicação é esta, mas o mais aconselhavel é analysar caso a
caso.


Posso dar uma pista, mas não um "methodo", para indicar quando a
consoante seguinte ao "A" inicial será dupla. Sabemos que o verbo
ACCEDER (de AD+CEDER) leva "C" geminado porque o verbo matricial CEDER
forma cognatos com outros prefixos, algum dos quaes tambem pode resultar
em geminação, como CONCEDER, EXCEDER, PROCEDER e SUCCEDER (de
SUB+CEDER), mas nem sempre tal occorrencia é sufficiente para assegurar
uma duplicidade. No caso de APPRECIAR, não temos palavras como
COMPRECIAR ou EXPRECIAR, nem, principalmente, OPPRECIAR ou SUPPRECIAR,
para corroborar a geminação. O mesmo vale para APPROVAR quanto aos
inexistentes cognatos OPPROVAR e SUPPROVAR, embora nada impeça que taes
verbos sejam creados à guisa de neologismos, ja que estariam em
conformidade com os principios da composição vernacula.


Assim, resta mesmo conferir a etymologia de APPRECIAR no latim
APPRETIARE e de APPROVAR no latim APPROBARE. Mais practico seria guardar
uma lista dos verbos formados com "A" prothetico para facilitar a
consulta, emquanto não memorizamos os casos de prefixo "AD". Abaixo
offereço as duas listas basicas, lembrando que no DICCIONARIO
ORTHOGRAPHICO forneço uma tabella de prefixos sujeitos ou não a
geminação. Quem quizer uma copia do DICCIONARIO basta enviar o pedido a
mattosog@gmail.com e terei prazer em attender à sollicitação. Até a
proxima!



LISTA I - VERBOS PROTHETICOS


ABACELLAR [A+BACELLA+AR]
ABAFAR [A+BAFO+AR]
ABAHIANAR [A+BAHIANO+AR]
ABAHULAR [A+BAHU/BAHUL+AR]
ABAINHAR [A+BAINHA+AR]
ABAIXAR [A+BAIXO+AR]
ABALANÇAR(-SE) [A+BALANÇA+AR]
ABALAR [forma historica ABALLAR, latim AD+VALLARE]
ABALROAR [A+BALROAR]
ABANAR [latim EVANNARE]
ABANCAR(-SE) [A+BANCO+AR]
ABARBELLAR [A+BARBELLA+AR]
ABARCAR [mas latim ABBRACHICARE]
ABARROTAR [A+BARROTE+AR]
ABASTAR [A+BASTO+AR; latim BASTARE]
ABASTARDAR [A+BASTARDO+AR]
ABASTECER [A+BASTECER]
ABEIRAR [A+BEIRA+AR]
ABENÇOAR [A+BENÇAM+AR]
ABERRAR [latim ABERRARE]
ABESPINHAR(-SE) [A+BESPINHA/VESPINHA+AR]
ABISCOITAR [A+BISCOITO+AR]
ABLAMELLAR [AB+LAMELLA+AR]
ABOCCANHAR [A+BOCCANHA+AR]
ABOLIR [latim ABOLERE]
ABOMINAR [latim ABOMINARE]
ABONAR [A+BON+AR, latim BONUS]
ABORDAR [A+BORDO+AR, francez ABORDER]
ABORDOAR(-SE) [A+BORDÃO+AR]
ABORTAR [latim ABORTUS]
ABRANDAR [A+BRANDO+AR]
ABRUTALHAR [A+BRUTO+ALHAR, mas OBBRUTESCER]
ABUNDAR [latim ABUNDARE]
ABURGUEZAR [A+BURGUEZ+AR]
ACABAR [A+CABO+AR]
ACALENTAR [latim CALENS]
ACALMAR [A+CALMA+AR, mas ACCLAMAR]
ACALORAR [A+CALOR+AR]
ACAMAR [A+CAMA+AR]
ACAMPAR [A+CAMPO+AR]
ACANHAR [A+CANHO+AR]
ACANNAVEAR [A+CANNAVE+AR, de CANNABIS]
ACANTHONAR [A+CANTHÃO+AR, latim CANTHUS]
ACAREAR [A+CARA+EAR]
ACARICIAR [A+CARICIA+AR]
ACARINHAR [A+CARINHO+AR]
ACARRETAR [A+CARRETA+AR]
ACATASOLAR [A+CATASOL+AR]
ACAUTELAR [A+CAUTELA+AR]
ACAVALLAR [A+CAVALLO+AR]
ACELLEIRAR [A+CELLEIRO+AR; mas ACCELERAR]
ACERTAR [A+CERTO+AR]
ACHICARAR [A+CHICARA+AR]
ACLARAR [A+CLARO+AR]
ACOBERTAR [A+COBERTA+AR]
ACOCORAR [A+COCORA+AR]
ACOLCHOAR [A+COLCHÃO+AR]
ACOMMUNAR(-SE) [A+COMMUM+AR]
ACONDICIONAR [A+CONDIÇÃO+AR]
ACONSELHAR [A+CONSELHO+AR]
ACONTECER [latim CONTINGESCERE, mas OCCORRER, SUCCEDER]
ACORRENTAR [A+CORRENTE+AR, mas ACCORRER]
ACOSTUMAR [A+COSTUME+AR, mas inglez ACCUSTOM]
ACOTHURNAR [A+COTHURNO+AR]
ACOTOVELLAR [A+COTOVELLO+AR]
ACOVARDAR [A+COVARDE+AR]
ACREDITAR [A+CREDITO+AR]
ACRISOLAR [A+CRISOL+AR]
ACUDIR [latim RECUTERE, mas ACCUSAR, SOCCORRER]
ADEANTAR [ADEANTE+AR]
ADELGAÇAR [A+DELGAÇAR]
ADENTRAR [A+DENTRO+AR]
ADEXTRAR [A+DEXTRO+AR]
ADIAR [A+DIA+AR]
ADOÇAR [A+DOCE+AR]
ADOENTAR [A+DOENTE+AR, mas ADDOECER]
ADOIDAR [A+DOIDO+AR]
ADORMENTAR [A+DORMENTE+AR, mas ADDORMECER]
AFADIGAR [A+FADIGA+AR]
AFEAR [A+FEO/FEIO+AR]
AFEIÇOAR [A+FEIÇÃO+AR, mas AFFEIÇOAR, de AFFEIÇÃO]
AFERROLHAR [A+FERROLHO+AR]
AFIANÇAR [A+FIANÇA+AR]
AFINAR [A+FINO+AR]
AFIVELLAR [A+FIVELLA+AR]
AFOGUEAR [A+FOGO+EAR, mas AFFOGAR]
AFORAR [A+FORO+AR]
AFORMOSEAR [A+FORMOSO+EAR]
AFORTUNAR [A+FORTUNA+AR]
AFRANCEZAR [A+FRANCEZ+AR]
AFREGUEZAR [A+FREGUEZ+AR]
AFROUXAR [A+FROUXO+AR]
AFUGENTAR [A+FUGA+ENTAR]
AFUNDAR [A+FUNDO+AR, mas AFFUNDIR]
AFUNILAR [A+FUNIL+AR]
AGALLEGAR [A+GALLEGO+AR]
AGALLINHAR(-SE) [A+GALLINHA+AR]
AGALOAR [A+GALÃO+AR]
AGARRAR [A+GARRA+AR]
AGATTANHAR [A+GATTO/GADANHO+AR]
AGIGANTAR [A+GIGANTE+AR]
AGRACIAR [A+GRAÇA+IAR]
AGREMIAR [A+GREMIO+AR]
AGRUPAR [A+GRUPO+AR, mas italiano GRUPPO]
ALAGAR [A+LAGO+AR]
ALARGAR [A+LARGO+AR]
ALASTRAR [A+LASTRAR]
ALETHARGAR [A+LETHARGO+AR]
ALEVANTAR [A+LEVANTAR, mas forma historica ALLEVANTAR]
ALINHAR [A+LINHA+AR, mas ALLIAR]
ALINHAVAR [ALINHAVO+AR]
ALISAR [A+LISO+AR]
ALISTAR [A+LISTA+AR]
ALOJAR [A+LOJA+AR]
ALONGAR [A+LONGO+AR]
ALOURAR [A+LOURO+AR]
ALUGAR [mas latim ALLOCARE]
ANINHAR [A+NINHO+AR]
ANOITECER [A+NOITE+ECER]
ANOJAR [A+NOJO+AR]
APADRINHAR [A+PADRINHO+AR]
APAGAR [latim PACARE]
APAIXONAR [A+PAIXÃO+AR, mas italiano APPASSIONARE]
APALPAR [A+PALPO+AR]
APANHAR [hespanhol APAÑAR, mas latim APPANNIARE]
APANIGUAR [latim PANIFICARE]
APARENTAR(-SE) [A+PARENTE+AR, mas APPARENTAR]
APARTAR [A+PARTE+AR]
APARTEAR [APARTE+EAR]
APATETAR [A+PATETA+AR]
APAVORAR [A+PAVOR+AR]
APAZIGUAR [latim PACIFICARE]
APEDREJAR [A+PEDRA+EJAR]
APEGAR [A+PEGAR]
APERCEBER (-SE) [A+PERCEBER]
APERFEIÇOAR [A+PERFEIÇÃO+AR]
APERTAR [mas latim APPECTORARE]
APINHAR [A+PINHA+AR]
APODERAR(-SE) [A+PODER+AR]
APODRECER [A+PODRE+ECER]
APONCTAR [A+PONCTA+AR]
APORRINHAR [A+PORRA+INHAR]
APORTAR [A+PORTO+AR, mas APPORTAR, de APPORTE]
APORTUGUEZAR [A+PORTUGUEZ+AR]
APOSSAR(-SE) [A+POSSE+AR]
APOSTAR [latim POSITA]
APRAZAR [A+PRAZO+AR]
APRAZER [A+PRAZER]
APREGOAR [A+PREGÃO+AR]
APRESENTAR [A+PRESENTE+AR]
APRESSAR [A+PRESSA+AR]
APRIMORAR [A+PRIMOR+AR]
APRISIONAR [A+PRISÃO+AR]
APROFUNDAR [A+PROFUNDO+AR]
APROMPTAR [A+PROMPTO+AR]
APROVEITAR [A+PROVEITO+AR]
APRUMAR [A+PRUMO+AR]
APUNHALAR [A+PUNHAL+AR]
APURAR [A+PURO+AR]
ATALHAR [A+TALHO+AR]
ATAPETAR [A+TAPETE+AR] [latim TAPETUM]
ATAREFAR [A+TAREFA+AR]
ATEAR [A+TEIA+AR]
ATERRAR (aterro e terror) [A+TERRA+AR e latim TERRERE]
ATERRORIZAR [A+TERROR+IZAR, latim TERRORE]
ATINAR [A+TINO+AR]
ATIRAR [A+TIRO+AR]
ATOCHAR [ATOCHA+AR]
ATOLAR [ATOL+AR]
ATORMENTAR [A+TORMENTO+AR, latim TORMENTUM]
ATRACAR [mas italiano ATTRACARE]
ATRAPALHAR [hespanhol TRAPALA]
ATRAVESSAR [latim AD+TRANSVERSARE, mas ATRAVEZ]
ATRAZAR [ATRAZ+AR]
ATRELLAR [A+TRELLA+AR]
ATROAR [A+TROM+AR]
ATROPELAR [A+TROPEL+AR]
ATULHAR [A+TULHA+AR]
ATURAR [latim OBTURARE]
ATURDIR [hespanhol idem, mas ATTONITO]



LISTA II - VERBOS GEMINADOS


ABBATTER [latim ABBATTUERE]
ABBRAÇAR [latim ABBRACCHIARE]
ABBREVIAR [latim ABBREVIARE]
ACCAPTAR [latim ACCAPTARE, como DESACCAPTAR]
ACCEDER [latim ACCEDERE]
ACCEITAR [latim ACCEPTARE]
ACCELERAR [latim ACCELERARE]
ACCENAR [latim ACCINARE, mas ENSCENAR]
ACCENDER [latim ACCENDERE]
ACCENTUAR [latim ACCENTUARE]
ACCIDENTAR [ACCIDENTE+AR]
ACCLAMAR [latim ACCLAMARE, mas ACALMAR]
ACCLIMATAR [francez ACCLIMATER, italiano ACCLIMATARE]
ACCOLHER [latim ACCOLLIGERE]
ACCOMMETTER [forma historica]
ACCOMMODAR [latim ACCOMMODARE]
ACCOMPANHAR [latim ACCOMPANIARE]
ACCORDAR [latim ACCORDARE]
ACCORRER [latim ACCURRERE, mas ACORRENTAR]
ACCOSSAR [latim ACCURSARE]
ACCOSTAR [latim ACCOSTARE]
ACCRESCENTAR [latim ACCRESCENTARE]
ACCRESCER [latim ACCRESCERE]
ACCULTURAR [inglez ACCULTURATION]
ACCUMULAR [latim ACCUMULARE]
ACCURAR [latim ACCURARE]
ACCUSAR [latim ACCUSARE]
ADDENSAR [latim ADDENSARE]
ADDEREÇAR [latim AD+DIRECTIARE, de DIRECTUS ou ADDITIARE, de DIRECTIUS]
ADDICIONAR [latim ADDITIONARE]
ADDITAR [latim ADDITUS]
ADDOECER ou ADDOESCER [latim ADDOLESCERE, mas ADOLESCERE, donde ADOLESCENTE]
ADDORMECER ou ADDORMESCER [latim ADDORMISCERE]
ADDUZIR [latim ADDUCERE]
AFFAGAR [forma historica]
AFFAMAR [forma historica, como DIFFAMAR]
AFFANAR [latim AFFANARE]
AFFAZER [como AFFEITO/AFFECTO, francez AFFAIRE]
AFFECTAR [latim AFFECTARE]
AFFEIÇOAR [de AFFEIÇÃO, mas AFEIÇOAR, de FEIÇÃO]
AFFERIR [latim AFFERERE]
AFFIAR [latim AFFILARE, de FILUM]
AFFIGURAR(-SE) [latim AFFIGURARE]
AFFILAR [latim AFFILARE, de FILUM]
AFFILIAR [forma historica, mas AFILHADO]
AFFIRMAR [latim AFFIRMARE]
AFFIXAR [AFFIXO+AR, forma historica]
AFFLAR [latim AFFLARE]
AFFLIGIR [latim AFFLIGERE]
AFFLUIR [latim AFFLUERE]
AFFOGAR [latim AFFOCARE, como SUFFOCAR]
AFFRONTAR [forma historica]
AFFUNDIR [latim AFFUNDERE, mas AFUNDAR]
AGGLOMERAR [latim AGGLOMERARE]
AGGLUTINAR [latim AGGLUTINARE]
AGGRAVAR [latim AGGRAVARE]
AGGREDIR [latim AGGREDERE]
AGGREGAR [latim AGGREGARE]
ALLEGAR [latim ALLEGARE]
ALLIAR [latim ALLIGARE]
ALLICIAR [latim ALLICERE]
ALLITTERAR [forma historica, latim LITTERA]
ALLIVIAR [latim ALLIVIARE]
ALLUDIR [latim ALLUDERE]
ALLUMIAR [latim ALLUMINARE]
ANNEXAR [ANNEXO+AR]
ANNIQUILAR ou ANNIHILAR [latim ANNIHILARE]
ANNOTAR [latim ANNOTARE]
ANNUIR [latim ANNUERE]
ANNULLAR [latim ANNULLARE]
ANNUNCIAR [latim ANNUNTIARE]
ANNUVEAR ou ANNUVIAR [latim ANNUBILARE]
APPARAR [latim APPARARE]
APPARECER [latim APPARERE/APPARESCERE]
APPARELHAR [APPARELHO+AR, forma historica]
APPARENTAR [de APPARENTE, mas APARENTAR, de PARENTE]
APPELLAR [latim APPELLARE]
APPENSAR [APPENSO+AR]
APPETECER [latim APPETESCERE]
APPLACAR [forma historica]
APPLANAR [latim APPLANARE]
APPLAUDIR [latim APPLAUDERE]
APPLICAR [latim APPLICARE]
APPOR [latim APPONERE]
APPORTAR [de APPORTE, mas APORTAR, de PORTO]
APPOSTAR [forma historica, de POSTO, mas APOSTAR, de APOSTA]
APPRECIAR [latim APPRETIARE]
APPREHENDER [latim APPREHENDERE]
APPREMER [latim APPRIMERE]
APPRENDER [latim APPRENDERE/APPREHENDERE]
APPROPINQUAR [latim APPROPINQUARE]
APPROPRIAR [latim APPROPRIARE]
APPROVAR [latim APPROBARE]
APPROXIMAR [latim APPROXIMARE]
ATTACCAR [como TACCO; italiano ATTACCARE, inglez ATTACK]
ATTEMPTAR [de ATTEMPTADO, latim ATTEMPTARE, mas ATTENTAR]
ATTENDER [latim ATTENDERE]
ATTENTAR [de ATTENÇÃO, latim ATTENTARE, mas ATTEMPTAR]
ATTENUAR [latim ATTENUARE]
ATTESTAR [latim ATTESTARE]
ATTIÇAR [latim ATTITIARE]
ATTINGIR [latim ATTINGERE]
ATTRAHIR [latim ATTRAHERE]
ATTREVER(-SE) [latim ATTRIBUERE]
ATTRIBUIR [latim ATTRIBUERE]
ATTRITAR [ATTRITO+AR, latim ATTRITUS]


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sábado, 11 de janeiro de 2014

JANEIRO/2014: LUCTANDO JUNCTO COM ATTENTOS PRACTICANTES

Tenho dicto que, como todo etymologista que se preza, jamais perco uma
opportunidade de escrever qualquer palavra com lettras duplas, "Y" ou
"PH", sempre que a matriz grecolatina ou a praxe historica me deem
respaldo, a despeito das formas simplificadas que, quer na fonte
hellenica, quer na romana, coexistam com formas mais complexas mas gozem
da preferencia dos lexicographos e tractadistas.


Assim, mesmo que a partir do latim possamos registrar QUINTO ao lado de
QUINCTO e JUPITER ao lado de JUPPITER ou, a partir do grego, CHRYSALIDA
parallelamente a CHRYSALLIDA e NANISMO parallelamente a NANNISMO, meu
criterio se pauta pela adopção dos digrammas "CT", "PP", "LL" e "NN",
respectivamente.


Succede que, inadvertidamente, até os mais attentos dentre nós correm o
risco de perder uma opportunidade dessas. Digo "nós" porque ja não me
sinto tão "unico" quanto alguns me consideram. Segundo Yuri Barros
Silva, um dos consulentes do meu DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO, até nas
redes sociaes (como o twitter) ja existe uma collectividade de cultores
do systema etymographico, a qual, embora composta de adeptos que não
totalizem os dedos das duas mãos, vem crescendo a poncto de ultrapassar,
em breve, tambem os dedos dos pés.


E foi justamente por um desses adeptos que acabei advertido accerca duma
opportunidade que eu vinha perdendo. Graças à observação de Pedro da
Silva Coelho, verifiquei que o verbo SOLLICITAR e o substantivo
SOLLICITUDE (com os respectivos cognatos) se enquadram na categoria dos
vocabulos cuja forma complexa (com "L" geminado) fora preterida por
quasi todas as fontes que habitualmente consulto, como os diccionarios
AULETE e LELLO, alem do MANUAL ORTHOGRAPHICO BRASILEIRO de Julio
Nogueira, fontes essas devidamente annotadas na bibliographia do
DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO. Apenas o HOUAISS consigna a matriz correcta.


Feita a rectificação e declarada a minha gratidão ao Pedro, aproveito
para renovar meu offerecimento do DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO a todos que
o sollicitarem (agora sim) por email a mattosog@gmail.com


Agora que, mais confiante, tenho tantos collegas de lucta, posso
appellar com emphase: Ao attaque! Combattamos pela penna!


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