sábado, 29 de abril de 2017

MAIO/2017: BIODIVERSIDADES DO SYSTEMA ECORTHOGRAPHICO


Nunca me canso de dizer que a orthographia é o patrimonio ambiental da
falla. Por isso, a exemplo dos ecologistas que tanto battalham pelos
biomas e topomas do systema terraqueo, eu battalho pelo graphoma dos
graphemas e acho cada "PH", cada "Y", cada lettra dupla um monumento ou
especimen a ser preservado, tal como uma egreja barroca em Minas, um
sobrado em Salvador ou uma arara na matta tropical, equivalendo a uma
cathedral gothica ou uma arena romana na Europa. Mas ha casos em que,
mesmo mantendo a tradição escripta, temos de admittir que a graphia de
certas palavras é mais simples do que a physiognomia do morphema pode
suggerir. As perguntas de alguns consulentes evidenciam essa apparente
"necessidade" de complexidade que, entretanto, não se verifica. Vejamos.


Um leitor questiona: si COMMISSÃO e COMMITTÊ levam geminações, por que
COMICHÃO, COMITIVA e COMICIO não levam?


Respondendo: o etymologismo verbal latino MITTERE é um dos mais
prolificos em derivações vernaculas, tanto no graphema METTER como no
graphema MITTIR. Assim, temos ADMITTIR e ADMISSÃO, COMMETTER e
COMMISSÃO, DEMITTIR e DEMISSÃO, EMITTIR e EMISSÃO, IMMITTIR e IMMISSÃO,
OMMITTIR e OMMISSÃO, PROMETTER, PROMISSÃO e PROMESSA, REMETTER, REMISSÃO e REMESSA, SUBMETTER e SUBMISSÃO ou TRANSMITTIR e TRANSMISSÃO. A palavra COMMITTÊ tambem tem essa origem. Ja COMICHÃO vem de COMESTIONE (segundo o Aurelio), emquanto o Aulete e o Lello esclarescem que deriva simplesmente do verbo COMER, como COMEÇÃO ou COMILANÇA. Quanto a COMITIVA, vem assim do latim (de COMES/COMITIS) e COMICIO do latim COMITIUM. Nesses casos, só nos resta memorizar cada uma para evitar confusões, particularmente no caso politico dum committê que organiza um
comicio ou duma commissão parlamentar que investiga os gastos de alguma comitiva...


Outro questiona: si HYSTERIA, AMPHITRYÃO e HYPERTENSÃO levam "Y", por
que HISTRIÃO e HIBERNAÇÃO não levam?


Respondendo: os exemplos com "Y" são hellenismos, excepto HYPERTENSÃO,
um hybridismo onde HYPER vem do grego. Ja HISTRIÃO vem do latim HISTRIO,
que tambem deu o adjectivo HISTRIONICUS, emquanto HIBERNAÇÃO vem de
HIBERNATIO, de HIBERNUM. Dahi o motivo pelo qual tambem HINVERNO deve
levar "H". Portanto, uma pessoa hysterica pode ser histrionica, mas não
em tudo.


Outro questiona: si SUMMA e SUMMULA, que envolvem a noção de synthese,
levam "M" geminado, por que a palavra RESUMO, de egual forma e sentido,
não leva?


Respondendo: SUMMA, SUMMULA, SUMMARIO chegam assim do latim e não cabe
contestação. Ja o graphema SUMIR (do latim SUMERE), que participa de
verbos como ASSUMIR, CONSUMIR e PRESUMIR, não se confunde com o primeiro
caso, lembrando que o verbo SUMIR, no sentido de desapparescer, tambem
vem de SUMERE. Parallelamente ao verbo CONSUMIR, é o verbo CONSUMMAR que
tem, este sim, a ver com SUMMA, pois envolve a idéa de algo accabado no
sentido de completo, emquanto CONSUMIR envolve a idéa de algo accabado
no sentido de esvaziado. Para exemplificar, posso dizer que, num
restaurante, eu CONSUMMO (satisfaço, realizo) meu prazer gastronomico
mas para isso CONSUMO (gasto, esbanjo) toda a minha grana, ou, por
outra, meu prazer se CONSUMMA mas CONSOME meus recursos. Paresce subtil,
mas são coisas do proprio latim.


Outro questiona: si BACCHANAL tem a ver com Baccho, o adjectivo BACANA
tambem não teria? E o adjectivo SAFADO, não teria a ver com SAPPHO?


Respondendo: segundo os etymologistas, BACANA é motivo de divergencias
entre o argentinismo hespanhol e o italianismo, mas teria a ver com
BACANO, possivelmente do italiano BACCANO, que teria a ver com
BACCHANTE. Logo, não seria exaggero affirmar que BACANA poderia ser
graphado como BACCHANA e que o escriptor decide. Quanto a SAFADO, do
verbo SAFAR(-SE), equivale ao participio SAFO, que tambem é objecto de
divergencia entre uma extranha origem arabe e uma ainda mais extranha,
ingleza: o adjectivo SAFE, no sentido de excappo ou a salvo. Ora, como a
noção de SAFADEZA equivale à de SACANAGEM, ha quem sustente que o
sentido de SAFO tem, sim, a ver com a poetiza grega SAPPHO, pelo facto
de ser lesbica e, na concepção vulgar, despudorada e pornographica. Dahi
se deprehende que graphar SAFADO como SAPPHADO não seria de todo
improprio, justamente pelo sentido improprio aos bons costumes... Mas
ainda ha quem diga que SAFADO vem de SAFARDANA ou SAPHARDAMNA, que por
sua vez viria duma mixtura das palavras SEPHARDITA e DAMNAR, mas,
descomptado o factor pejorativo e preconceituoso contra os judeus, tal
hypothese paresce um tanto forçada. Em todo caso, um "PH" nessa palavra
não pode ser deschartado como alternativa plausivel.


Por fim, outro questiona si o verbo AFOBAR não teria a ver com PHOBIA,
caso em que se escreveria com "PH".


Respondendo, consta dos diccionarios que AFOBAR tem "origem obscura",
expressão usada quando querem tirar o cu da recta, em bom portuguez.
Claro que ha explicações para qualquer vocabulo, ainda que
controvertidas. Uma dellas é que seria uma hyperthese de ABBOFAR, de
BOFE, suggerindo que a pessoa abbofada (ou esbofada, ou esbaforida)
estaria botando os bofes pela bocca, ou seja, appressando-se,
affligindo-se. Tambem as noções onomatopaicas de BAFO e de BUFAR podem
entrar nessas interpretações. Si prevalescesse a these de BOFAR com
troca de consoantes para FOBAR, é logico que o prefixo "AD", ao entrar
em scena, geraria o verbo AFFOBAR, com geminação do "F". Mas as
possiveis explicações não param por ahi. Tambem ja encontrei aquelloutra
de que alguem admedrontado ou appavorado poderia se appressar ou se
precipitar, dahi o sentido de PHOBIA associado à soffreguidão, caso em
que o prefixo latino "AD", assimilado pelo infixo grego PHOBO, geraria
um raro hybridismo em APPHOBAR, onde o "P" se geminaria, como o "C" em
ACCHATAR. Mas a decisão de acceitar tal hypothese fica a cargo do
orthographo, ou do ecorthographo, caso o subjeito se conscientize de que
o ambientalismo linguistico se extende aos mais exoticos especimens de
"PH" a serem preservados da extincção, ou do desuso.


///

Para baixar e abrir o diccionario orthographico do auctor, accessem:
https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0&preview=DICCIONARIO+ORTHOGRAPHICO.TXT

///

sábado, 25 de março de 2017

ABRIL/2017: QUESTOENS DE ACCENTUAÇAM NA DIPHTHONGAÇAM ANNASALADA


Uma questão que sempre volta à superficie e fluctua ao sabor das marés
grammaticaes é o emprego do til. A proposito da minha proposta de
"minima accentuação", caberia um addendo ao topico [4.3] do meu
DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO, à luz das considerações levantadas pelo
attento leitor Alexandre Pires, adepto da abolição do til em favor da
corrente que graphava CAMOENS ou ALPHONSUS DE GUIMARAENS. Em principio,
seria essa uma tendencia a ser levada em compta por aquelles que não
perderiam opportunidade de dispensar mais um signalzinho incommodo,
especialmente na era digital. Antes de equacionar a questão para
chegarmos ao referido addendo, vou transcrever algo que normatizava
Julio Nogueira em seu MANUAL ORTHOGRAPHICO BRAZILEIRO, quanto ao
diphthongo "ÃO".


{A graphia "ÃO" é sempre final da palavra ou do seu radical: PAIXÃO,
SAYÃO, JAPÃO, PÃO, CÃO e CÃOZINHO, etc. [...] Nas formas verbaes em que
o diphthongo final é tonico escreve-se "ÃO", como em: VÃO, SERÃO, DÃO,
FARÃO, SÃO, ESTÃO, DIRÃO etc. Nas em que elle é atono a escripta é "AM":
FORAM, ERAM, DERAM, DISSERAM, etc. O diphthongo "ÃO", tonico ou atono,
ja se escreveu com o til na subjunctiva. Era esta a forma commum de
Duarte Nunes do Lião, na sua "Orthographia". Este mesmo auctor escrevia
"AM", a par de "ÃO". O Sr. Ribeiro de Vasconcellos, modernamente, na sua
grammatica, usa das formas SAM, DAM, ESTAM, a par de NÃO. Camões
escreveu o diphthongo "AM":


"Fuy capitam do mar por onde andaua" (...)
"Onde imaginaçoens mais certas sam" (...)
"De seu officio & sangue a obrigaçam"


Mas tambem escreveu "ÃO":


"Que cada Região produze e cria"


As duas formas apparescem alternadas no seguinte disticho:


"Deixa intentado a humana geraçam:
Misera sorte, extranha condição" (L. IV, 104)


A escripta deste diphthongo é mais um facto proprio do genio da lingua
que um resultado de mutações morphologicas, pois apparesce com uma forma
convergente de innumeras fontes. Em SÃO e VÃO (nomes) é uma transcripção
popular de "ANU" (SANU, VANU); em SÃO e VÃO (verbos) representa a
terminação "UNT" ou "ADUNT" (SUNT, VADUNT); em PÃO, CÃO corresponde à
final "ANE"; em formas verbaes como DÃO, ESTÃO tem por antecedente a
terminação "ANT": DANT, STANT; em linguagens do futuro: AMARÃO, SERÃO,
PARTIRÃO, PORÃO o diphthongo não é mais que a terceira pessoa do plural
do indicativo de HAVER na forma anteclassica, despida do "H" etymologico
"-ÃO". Assim, o melhor é estabelescer preceitos meramente practicos.}


Divergindo de Nogueira em alguns ponctos, grammaticos como Eduardo
Carlos Pereira concordavam, basicamente, no seguinte:


1 - Escrever "ÃO" no final de palavra aguda ou de raiz de palavra aguda
que entre na formação de derivações: CÃO, CÃOZINHO.


2 - Escrever "AM" no final de certos nomes não agudos, sem necessidade
de auxiliar a pronuncia com o accento inconveniente na tonica da
palavra: ORGAM, ORPHAM, BENÇAM, RHABAM, SOTAM, ESTEVAM, CHRISTOVAM, etc.


3 - Escrever "AM" no final de formas verbaes não agudas: FORAM, ERAM,
SERIAM etc.


Caso optassemos pela abolição do til tambem nas formas oxytonas,
teriamos que resolver determinadas pendencias, a saber:


1 - Si, em logar de CÃO, grapharmos CAM, como ficaria o plural,
inclusive do diminutivo e augmentativo? Segundo a escripta camoneana, o
plural seria CAENS. Segundo a regra nogueiriana, o diminutivo seria
CANZINHO, mas o plural CAENSINHOS. Quanto ao augmentativo, CANZARRÃO,
CANZARROENS.


2 - Si, em logar de MÃO, graphassemos MAM, o plural seria MANS? E as
formas diminutiva e augmentativa? MANZINHA e MANZONA? Si, em logar de
MÃE, graphassemos MAEM, teriamos MAENS e MAENZINHAS?


3 - Si, alem da forma feminina CHRISTAN, graphassemos a forma masculina
como CHRISTAM em logar de CHRISTÃO, como ficariam os pluraes e
diminutivos? Teriam que ser homographos, CHRISTANS, ao lado de
CHRISTANZINHOS e CHRISTANZINHAS?


4 - Si, em logar das formas substantivas BOTÃO, CAGÃO, CHORÃO, COLHÃO,
FUJÃO, MIJÃO, PAPPÃO ou PENSÃO, graphassemos o diphthongo como "AM",
teriamos que accentuar as formas verbaes homographas BOTAM (BOTAR),
CAGAM (CAGAR), CHORAM (CHORAR), COLHAM (COLHER), FUJAM (FUGIR), MIJAM
(MIJAR), PAPPAM (PAPPAR) e PENSAM (PENSAR)? Não seria um inconveniente
emprego de agudos e circumflexos para marcar os paroxytonos BÓTAM,
CÁGAM, CHÓRAM, CÔLHAM, FÚJAM, MÍJAM, PÁPPAM e PÊNSAM?


5 - Si, em logar de PÕE, COMPÕE, EXPÕE, OPPÕE, SUPPÕE e outras formas
verbaes da terceira pessoa do singular, graphassemos POEM, COMPOEM,
EXPOEM, OPPOEM e SUPPOEM, como ficariam as formas da terceira pessoa do
plural? Teriamos, neste caso, de conviver com uma incommoda e confusa
homographia.


6 - Si, em logar de AMARÃO e VENDERÃO, graphassemos as formas futuras
como AMARAM e VENDERAM, não se crearia uma perigosa homographia com as
formas preteritas? Não seria incoherente com a minima accentuação
recorrermos a um accento agudo ou circumflexo para compensar o til
dispensado nestas formas preteritas, AMÁRAM, VENDÊRAM? Talvez não, si
considerassemos que a quantidade de vocabulos verbaes seria muito menor
que aquellas oxytonas todas dispensadas do til. Uma relação de
custo/beneficio a ser levada em compta.


7 - Si, em logar de "ÃO", grapharmos "AM", restaria intacta uma
ambiguidade em relação ao graphema "ON", predominante nas formas
derivadas. Emquanto nomes como ADAM, ABRAHAM, SEBASTIAM ou SAM BENEDICTO
geram adjectivos em "A" como ADAMICO, ABRAHAMICO, SEBASTIANISTA e
SAMBENEDICTENSE, outros como AARAM, SIMAM e SALOMAM geram adjectivos em
"O" como AARONICO, SIMONENSE e SALOMONICO. A tendencia será maior em
direcção à vogal "O", como em CAMPEAM/CAMPEONATO, LEAM/LEONINO,
HISTRIAM/HISTRIONICO ou TABELLIAM/TABELLIONATO, mais conforme ao plural
em "O", como em CAMPEOENS, LEOENS e HISTRIOENS, predominante no
portuguez, a par de TABELLIAENS. Nada, porem, que não se accommode aos
habitos do escriptor.


Assim sendo, o melhor é deixar a criterio de cada orthographo a decisão
de manter ou abolir o til. Pessoalmente, prefiro mantel-o para evitar
maiores conflictos, mas estou accrescentando as formas alternativas ao
DICCIONARIO, para registrar meu reconhescimento à contribuição de
leitores como Alexandre Pires. Até a proxima!


///

Para baixar e abrir o diccionario orthographico do auctor, accessem:
https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0&preview=DICCIONARIO+ORTHOGRAPHICO.TXT

///

MARÇO/2017: FALSOS AMIGOS HESPANHOES E ITALIANOS


Para aquelles que acham o hespanhol muito apparentado ao portuguez, ou
que recorrem ao "portunhol" como si fosse sufficiente para um reciproco
entendimento, suggiro a traducção do seguinte paragrapho.


Allá viene un tarado pelado con su saco en las manos corriendo atrás de la
buseta. La perdió y quedó dando puñetazos al aire.


O sentido correcto nada tem de chulo nem obsceno, ao contrario do que
pode parescer:


Lá vem um doido careca com seu paletó nas mãos correndo attraz do
microomnibus. Perdeu-o e ficou dando socos ao ar.


Essa pegadinha de estudantes pode illustrar algo mais que uma armadilha
idiomatica. Tambem nas questões orthographicas é preciso tomar cuidado
com as analogias. Não é porque "nuestros hermanos" usam um "H" que
podemos ir graphando IRMÃO com essa inicial, nem porque escrevem
"español" que vamos tirar o "H" de HESPANHOL. Vale sempre conferir a
matriz latina, levando-se em compta a propria tradição lusophona.


Um problema que passa despercebido à maioria dos orthographos é que os
auctores de diccionarios são tendenciosos e capciosos quando
compromettidos com o phoneticismo. No intuito de "empurrar" a
simplificação reformista, escamoteiam matrizes etymologicas e dão
hespanholismos ou italianismos como "origem", a fim de desviar a
attenção do consulente. Cito os casos de AFFICCIONADO, TERTULLIA,
HARPEJO e EXTORNO.


AFFICCIONADO, segundo os lexicographos, vem do hespanhol AFICIONADO,
como si isso bastasse para nos obrigar a fazer de compta que não
preexistem o prefixo latino "AD" e o substantivo FEIÇÃO, alem de formas
correlatas como AFFECTO e AFFECÇÃO, ao lado de AFFEIÇÃO. Por mais que a
especificidade do significado seja hispanica, orthographicamente o que
deve valer é a morphologia tradicional na hora de apportuguezarmos o
vocabulo, evidentemente. O mais vernaculo seria AFFECCIONADO, mas
admitte-se o "I" pelo "E" para characterizar uma accepção menos
physiologica que psychologica. A proposito, a palavra PSYCHOLOGIA é
exemplo gritante de como o phoneticismo não pode servir de parametro
para qualquer reforma, pois em hespanhol virou SICOLOGÍA, forma que,
alem de absurda, induz à confusão com SYCOLOGIA, que em portuguez
significa o estudo dos figos, devido ao etymo grego SYCO.


TERTULLIA apparesce nos diccionarios como sendo de origem castelhana,
dahi levar um só "L". Mentira. O significado da palavra pode ter sido
concebido naquelle idioma, mas a palavra em si tem obvia origem no nome
do ecclesiastico catholico Tertulliano, donde o termo TERTULLIANISMO.
Ora, fica claro que, num portuguez que se queira etymologico, TERTULLIA
tem de levar "L" duplo, e fim de pappo.


HARPEJO, obvia derivação de HARPA, apparesce em varios diccionarios como
ARPEJO, só porque existe ARPEGGIO no italiano. Ora, é claro que, no
sentido technicamente musical, a origem immediata é italiana, mas a
origem remota é que deve prevalescer neste caso.


EXTORNO, por sua vez, vem allegadamente do italiano STORNO, pretexto
para que alguns lexicographos desrecommendem o "X". Outro caso em que,
si a accepção especificamente financeira pode ser a italiana, a
morphologia e a semantica exigem o prefixo "EX" latino, ao contrario do
café ESPRESSO, onde o "S" é necessario para differenciar de EXPRESSO, ja
que o sentido não é o dum preparo rapido e sim dum resultado obtido sob
pressão.


Ainda no terreno das distincções necessarias, approveito para lembrar
que GRAFFITE não é o mesmo que GRAPHITE, dahi a acceitação do
italianismo GRAFFITTI, para differenciar, no minimo, um lapis dum
spray...


Isto dicto, vou parando por aqui e volto em breve. Até!


///

Para baixar e abrir o diccionario orthographico do auctor, accessem:
https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0&preview=DICCIONARIO+ORTHOGRAPHICO.TXT

MARÇO/2017: QUANDO "CORRECTOR" É CORRIGIDO PARA "CORRETOR"



Ultimamente tenho recebido poucas mensagens de consulentes, mas copio
abbaixo algumas interessantes às quaes respondi pelo email que utilizo:
mattosog@gmail.com


Alexandre Pires observou que meu DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO não
assignalava a differença entre CORRECTOR (aquelle ou aquillo que
corrige) e CORRETOR (que faz corretagem), ja que CORRIGIR e CORRETAR
teem etymos distinctos.


Bem observado, Alexandre. Lembro-me de ter attentado para a questão na
epocha em que elaborava este blog, CORRECTOR ORTHOGRAPHICO, mas faltou a
resalva no diccionario, que estou providenciando. O curioso era que
alguns orthographos admittiam só a graphia CORRECTOR, como si a
intermediação commercial presuppuzesse um accerto ou negocio
justo/correcto, desconsiderando que a CORRETAGEM vem de CORRER (como em
"moeda corrente") e não de CORRIGIR. Eu mesmo posso ter escripto errado
em algum momento, ainda que a accepção CORRETOR seja de uso mais
restricto a uma profissão.


Kayky Macedo estava em duvida sobre a origem e a graphia de seu prenome.


Caro Kayky, seu prenome pode ser escripto de qualquer maneira, como você
mesmo demonstra, ja que não tem origem formal no portuguez ou em
qualquer idioma amerindio. Na verdade, tracta-se de uma confusão que
tambem occorre com diversos outros hypocoristicos transformados em
prenomes, taes como Cadu (de Carlos Eduardo), Cabé (de Carlos Alberto),
Joca (de João Carlos) ou Zeca (de José Carlos): como não são formas
officiaes, accabam surgindo graphias typo KADU, KABÉ, JOCA ou ZEKA,
quando alguem resolve baptizar "creativamente" um filho. No seu caso,
seria a forma abbreviada de Carlos Henrique, appellido que virou moda em
algum momento (talvez por causa duma telenovella) e, com o tempo, passou
a ser graphado como identicos modismos "indigenas" typo Kauê ou Kauan.
Nada pessoal contra, meu caro, mas nos States seu nome teria pronuncia
totalmente diversa e, mesmo aqui, sempre suscitaria divergencias. O
importante é estarmos satisfeitos com nossos nomes, não é?


Vera Guimarães perguntou duas coisas: o motivo de escrevermos APPETITE
com "P" duplo e APERITIVO com "P" simples, bem como o motivo de
escrevermos AIPO com "I" e AYPIM com "Y".


Simples, Vera. APPETITE vem do latim APPETITUS, mas aquillo que abre o
appetite é APERITIVO porque "abrir" vem do latim APERIRE. Ja AIPO vem do
latim APIUM, emquanto AYPIM vem do tupy. Não são, portanto, cognatos,
como pode parescer.


Wilson Borges, a proposito das tornozelleiras electronicas tão em voga,
perguntou por que a maioria dos orthographos escreve TORNOZELLO com um
só "L" e COTOVELLO com dois. Elle tambem quiz saber por que escrevo
ESCANTHEIO quando me refiro à cobrança dum "corner" no futebol.


Wilson, transcrevo a resposta que ja dei neste blog. Todos os
diccionarios registravam COTOVELLO com "L" duplo mas simplificavam o "L"
de TORNOZELO, talvez devido ao latinismo da primeira
(CUBITUS/CUBITELLUS) e ao hellenismo da segunda (TORNOS+OZOS),
theoricamente insufficiente para explicar a desinencia latina "ELLO".
Por analogia, poderiamos admittir o graphema "ELLO" para ambas, sem
grande violencia contra a tradição vernacula, como no caso de CABELLO e
PELLO (respectivamente, CAPILLUS e PILUS, mas tambem PILLUS); acho,
porem, que a materia deve ficar a criterio de cada escriptor. Quanto ao
termo ESCANTHEIO, tracta-se de simples derivação. Ha differença entre
CANTO (no sentido musical, do latim CANTUS) e CANTHO (no sentido
espacial, do latim CANTHUS), donde o tiro de cantho ter de ser escripto
com "TH", dahi ESCANTHEIO. O mesmo vale para CANTHONEIRA, ACCANTHONAR e
outros derivados.


Lucas Barbosa indagou si não seria preferivel escrever EFFECTO e DOCTOR,
a exemplo do inglez, ja que seriam formas mais proximas da matriz
etymologica que EFFEITO e DOUTOR.


Não, Lucas, tem de ser DOUTOR mesmo e não DOCTOR. Guarde estas duas
dicas basicas e você vae evitar divagações linguisticas:


Primeira: a orthographia etymologica não mexe em consoantes que viraram
vogaes, como em DOUTOR e OUTUBRO ao lado de OITAVO e NOITE, nem em
vogaes que se transformam, como em OURO e AUREO, BOCCA e BUCCAL. Ella só
corrige a escripta em caso de consoantes mudas (AUCTOR, ELECTRICO),
duplicadas (COMMERCIO, LITTERATURA) ou digrammaticas (PHILOSOPHIA,
CHYMICA, MATHEMATICA), ou seja, deixa à phonetica o que é pronunciado e
exige da tradição o que é escripto, embora nem sempre coincida a
pronuncia com a escripta, como em EGUAL/EGUAES, CREANÇA, LOGAR ou
MOLEQUE.


Segunda: o inglez não serve como regra, só como parametro consonantal,
como em COMMERCIO, SCIENCIA, PHYSIOLOGIA ou PSYCHOLOGIA. Mas, seja em
caso de consoantes ou vogaes, é preciso cuidado com outros idiomas, como
em AUCTOR, LITTERATURA, PHANTASIA, PAROLYMPICO ou OCTOGONO, que elles
escrevem errado: AUTHOR, LITERATURE, FANTASY, PARALYMPIC, OCTAGON.

///

Para baixar e abrir o diccionario orthographico do auctor, accessem:
https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0&preview=DICCIONARIO+ORTHOGRAPHICO.TXT

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

DEZEMBRO/2016: UM FREGUEZ FALLAZ QUE FAZ JUS AO BIS


No mez passado abbordei o caso dos graphemas "AU" e "ÁO" e, para fazer
um parallelo, mencionei minha coherencia com o principio da minima
accentuação. Citei LUIZ e PORTUGUEZ como exemplos do quanto a
orthographia preservacionista prescinde do accento agudo. Tambem alludi
ao facto de que os leitores deste bloguinho são attentos observadores,
promptos para me pegar no pullo, ou pelo menos para tentar pegar-me.


Agora é o leitor Oswaldo quem me interpella:


- Você defende as terminações com a lettra "Z" para não ter de escrever
LUIZ como LUÍS, mas escreve ASSIS e PARIS. Como explica mais essa
incoherencia?


Explico-a porque a incoherencia não é minha. A orthographia não é uma
sciencia exacta, cabendo excepções a quaesquer regras, ou antes,
convenções que recommendo sem tentar impor. ASSIS e PARIS são formas que
difficilmente alguem achará como ASSIZ e PARIZ, embora o proprio Julio
Nogueira admitta PARIZ. Vejamos o que elle diz em seu MANUAL
ORTHOGRAPHICO BRAZILEIRO e depois accrescentarei meus commentarios.


{A constricta "ZÊ" representa-se por "Z": [...] como lettra final de
grande numero de palavras agudas e nos seus pluraes e derivados: GAZ,
PAZ, RAPAZ, TIMIDEZ, FRANCEZ, PORTUGUEZ, VEZ, AUDAZ, LIZ, RAIZ, NARIZ,
PAIZ, JUIZ, PARIZ, NOZ, VOZ, FEROZ, ATROZ, LUZ, CRUZ. Esta indicação de
cunho practico appoia-se no facto de ser o "Z", em innumeros casos, a
transcripção de um "C" latino. Os derivados de formação popular manteem
a mesma graphia: RAPAZIADA, FRANCEZMENTE, ENRAIZAR, JUIZADO, VOZEIO,
VOZEAR, FEROZMENTE, LUZEIRO, CRUZAR, CRUZEIRO, etc.}


Obviamente, Nogueira faz suas excepções, como JUS, JESUS, MOYSÉS,
CAIPHÁS, que eu também levo em compta, mas o facto é que a etymologia e
a tradição escripta não são sufficientes para estabelescer um paradigma
para todos os casos. Graphamos SATANAZ mas temos escrupulo de graphar
CAIPHAZ ou JESUZ. Por que? A resposta talvez esteja justamente na praxe
consuetudinaria. Basta consultar as fontes lexicographicas. O
diccionario Lello consigna SATANAZ com "Z" ao lado de CAIPHÁS com "S",
bem como ASSIS e PARIS. O de Aulete, como não é encyclopedico, só
registra adjectivos de nomes proprios, mas não verbeta PARISIENSE e em
FRANCISCANO não menciona "de Assis"; comtudo, no verbete JACOBINO
menciona PARIS com "S". Outrosim, nosso Assis mais famoso, o Machado,
não usava "Z", emquanto Delphino, que era Luiz, não usava "S". Está ahi
a differença da praxe, diaphana e crystallina.


Em summa, ninguem precisa ter dor na consciencia si se vê às voltas com
taes incoherencias, pois ellas fazem parte do complexo universo lexico
do idioma, para o qual nenhuma academia tem poderes de legislar em
character obrigatorio.


ASSIS vem do italiano ASSISI e PARIS não do grego mythologico PARIS (que
é paroxytono e accentuado como PÁRIS pela graphia phonetica), mas da
tribu celta PARISII. Em todo caso, paresce claro que os nomes proprios
teem sua peculiar morphologia e nem sempre podem ser enquadrados pelos
mesmos criterios que regem os substantivos communs do typo agudamente
terminado em "Z" de modo a dispensar o accento. Mesmo entre estes ha
necessidade de distinguir NOZ de NÓS (pronome e plural de NÓ), VOZ de
VÓS (pronome), VEZ de VÊS (verbo VER) ou PAZ de PÁS (plural de PÁ),
evidenciando que ha logar para as mais diversas situações accentuadas,
impossiveis de evitar.


Caso o leitor Oswaldo não se satisfaça com taes explicações, não vou
ficar indignado quando elle quizer graphar ASSIZ ou PARIZ, desde que
elle siga o mesmo criterio em JESUZ e MOYSEZ, para manter uma coherencia
que, esta sim, será delle e de ninguem mais. Rapaz audaz, esse que quiz
ser meu juiz, hem?


Aos interessados deixo o link para um menu na nuvem donde podem baixar
os archivos do DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO e de outras obras pertinentes.


https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0


///

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

NOVEMBRO/2016: PÁO COMBINA COM BOCETA?


Nós, etymologistas, somos como os monarchistas: poucos mas mais
realistas que o rei. Tão zelosos que nada deixamos excappar. Assim são
os seguidores deste bloguinho de notas. Pegam no meu pé emquanto não os
convenço de que as convenções que adopto, quando não estão embasadas na
pura etymologia, baseiam-se no factor consuetudinario (a forma historica
mais arraigada) ou, em ultima analyse, numa questão de coherencia,
sempre visando fixar os graphemas menos simplificados, em funcção duma
esthetica classicizante e (Por que não?) sophisticada.


Este preambulo vem a proposito da questão levantada por um leitor nos
seguintes termos: ja que recommendo, em muitos casos que o systema mixto
tornava indecisos, a preferencia pela vogal "O" em detrimento do "U",
como em BOCETA ou MOLEQUE, qual a razão pela qual prefiro PAU, MAU e
NICOLAU às formas terminadas em "ÁO" (PÁO, MÁO e NICOLÁO)? "Não seria
incoherente?", pergunta o leitor.


Minha resposta é que, entre duas incoherencias, excolho aquella que
causa effeitos menos damnosos ao conjuncto da obra, ou ao universo
lexico. Primeiramente, cabe lembrar que nem sempre a opção pelo "O"
tinha fundamentação etymologica. A palavra LOGAR, por exemplo, guardava
coherencia com LOCAL, do latim LOCALIS. Entretanto, BOCETA vem de
BUXIS/BUXIDIS e MOLEQUE do africano MULEKE, ou seja, às vezes a opção
pelo "O" seria uma tradição crystallizada no proprio portuguez. Isso não
tira a legitimidade de BOCETA ou MOLEQUE, pois, como accabei de allegar,
o factor consuetudinario pesa tanto quanto a authenticidade etymologica.


No caso de PAU, MAU ou NICOLAU (latim PALUS, MALUS e NICOLAUS,
respectivamente), a tendencia mais correcta seria graphar mesmo com "U".
Assim faço eu, mas deixo a criterio de cada um optar pelas formas PÁO,
MÁO e NICOLÁO, ja que a tradição vem legitimar ambas as excolhas. Minha
coherencia, no caso, é com um principio que chamo da "minima
accentuação", pelo qual dispenso um agudo, um circumflexo, um til ou uma
cedilha sempre que posso, como em LUIZ (em logar de LUÍS), PORTUGUEZ (em
logar de PORTUGUÊS) MAÇAN (em logar de MAÇÃ) ou SUISSA (em logar de
SUÍÇA), donde a conveniencia de graphar PAU em logar de PÁO. Mas ha
ainda outra conveniencia, bem mais practica, principalmente em tempos de
digitação informatizada: o emprego do "U" evita confusões entre o agudo
e o til em palavras como PÃO, MÃO, NÃO, BABÃO etc. em relação a PÁO,
MÁO, NÁO e BABÁO.


Não fica nisso a minha coherencia. Si eu preferisse o graphema "ÁO" ao
"AU", teria de preferir "ÉO" a "ÉU" e escreveria CHAPÉO e CÉO em vez de
CHAPÉU e CÉU. Sim, haveria tradição para me fundamentar, mas, nesse
caso, eu teria de escrever EUROPÊO e LYCÊO quando o som do "E" fosse
fechado. Tambem haveria alguma fundamentação historica para tal, mas,
convenhamos, seria uma plethora de agudos e circumflexos perfeitamente
dispensaveis, não acham? Si um dos maiores problemas da orthographia
reformada é a quantidade de accentos, não precisamos arrhumar tal
problema tambem na orthographia preservada, é ou não é?


A esse respeito, illustro meu commentario com um trecho do MANUAL
ORTHOGRAPHICO BRAZILEIRO de Julio Nogueira:


{O nosso Lyceu de Artes e Officios e o Syllogeu são, pelo menos nas suas
fachadas, LYCÊO e SYLLOGÊO, graphias pouco acceitaveis, não só do poncto
de vista practico como do scientifico. A palavra SYLLOGEU, formada de
elementos gregos pelo Dr. Ramiz Galvão (1904) assim se acha escripta no
seu "Vocabulario" e significa "a casa onde se reunem associações
litterarias e scientificas".}


Apesar de desrecommendar o graphema "ÊO", porem, Nogueira recommenda
"ÉO" em caso da vogal aberta, como em CÉO, CHAPÉO, VÉO, TROPHÉO,
ESCARCÉO, BORNÉO, MAUSOLÉO, BORDÉOS, MONTEVIDÉO. Por isso não fecho
questão, adoptando CHAPÉU mas admittindo CHAPÉO caso a cabeça não seja a
minha, que, aliaz, usa bonné.


Ainda a proposito do termo PAU no sentido phallico e de seu equivalente
feminino BOCETA, nunca é tarde para registrar que o substantivo ROLLA
(que, como synonymo de POMBA, suggeriria a vagina e não o penis)
deveria, por força do factor historico, levar "L" duplicado, até porque
seu formato ROLLIÇO remette ao masculino ROLLO que, como ROL, vem do
latim ROLLUS que, por sua vez, vem de ROTULUS. Dahi que, mesmo sendo
forma corrente no systema mixto, o verbo ROLLAR com um só "L" passou
pela minha tardia correcção, bem como seus correlatos ENROLLAR e
DESENROLLAR, ao lado de ROLLETA, ROLLINHO, ROLLÊ, ROLLEZINHO, ROLLANTE,
etc. Em summa, a todo momento estamos deante de formas apparentemente
simples que, si cuidadosamente pesquisadas, appresentam algo mais
complexo, a despeito da ommissão dos diccionarios, que tendem a
registrar apenas ROTULUS como etymologia de ROLLO, induzindo o
consulente a acceitar as formas simplificadas "ROLO" e "ROLA".


Aos interessados deixo o link para um menu na nuvem donde podem baixar
os archivos do DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO e de outras obras pertinentes.


https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0


///

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

OUTUBRO/2016: CHORANDO NO KHORO OU CORANDO NO CHORO?


Antes da questão de fundo a que me reporto mensalmente, quero deixar
registrado o commentario que postei no facebook a proposito dos eventos
septembrinos. Começados os jogos parolympicos, fiquei alliviado ao ouvir
uma entrevista dada pelo amigo Mizael Conrado, hoje vice-presidente do
Committê Parolympico, que pronuncia correctamente a palavra PAROLYMPICO,
pois a palavra OLYMPO e seus derivados jamais perdem a vogal inicial. Ja
o prefixo grego PARA perde a ultima vogal sempre que o pospositivo
começar por vogal. Assim, PARA+ONOMASIA dá PARONOMASIA; PARA+OXYTONO dá
PAROXYTONO; PARA+ESTHESIA dá PARESTHESIA; PARA+ALLELO dá PARALLELO;
PARA+ATHLETA dá PARATHLETA. Em casos como PARAMILITAR ou PARAPLEGICO é
claro que o antepositivo não se altera. Lembrando que em palavras como
PARACHOQUE, PARAPEITO ou PARAQUEDAS o prefixo vem do verbo PARAR e que
na boa orthographia ellas não levam hyphen. Ja expliquei tudo isso neste
blog e não comprehendo por que alguns insistem na erronea forma
"PARALYMPICO", incorrecta até no inglez, idioma em que tambem existem os
equivalentes de PARONOMASIA ou PAROXYTONO. Será que é contagiosa a
burrice de alguem que falle duma "presidenta innocenta"? Em todo caso,
fique claro que o substantivo masculino JUMENTO admitte o feminino
JUMENTA. Isto posto, vamos a outra questão.


Um attento e attencioso leitor, que sempre me escreve mas prefere
manter-se no anonymato, volta a inquirir-me accerca do dilemma entre
homographia e homophonia que divide as alternativas CORO e CHORO, CHORO
e CHORO ou KHORO e CHORO, considerando que uma accepção é a de canto e a
outra de pranto, face ao facto de que em portuguez coexistem duas
sonoridades para o digramma "CH", como em CHIMERA parallelamente a
CHINELO.


Ja deixei clara a minha preferencia pela forma KHORO para canto e CHORO
para pranto, mas nunca é demais voltar ao thema. Desta feita transcrevo
o pertinente trecho de Nogueira no MANUAL ORTHOGRAPHICO BRAZILEIRO para
depois fazer minhas considerações finaes.


{Segundo alguns a representação da articulação "KÊ" por "CH" em palavras
de origem grega é impropria. Julio Ribeiro não se conforma com ella,
declarando que o facto de exprimir o latim aquella articulação por "CH"
não é razão para que o portuguez o fizesse. Acha que em latim a
posposição do "H" ao "C" é acceitavel porque o "C" naquelle idioma tinha
o som forte de "KÊ" e assim o digramma "CH" podia, com propriedade,
exprimir o "X" (chi grego). No portuguez não, porque o "H" em concurso
com o "C" produz ja o valor de "XÊ" e conferir-lhe ainda o effeito de
"KÊ" importa crear duvidas na pronunciação. Essa observação é de todo
poncto justa e fosse lembrada ao tempo em que se manifestaram as
tendencias graphicas, decerto o "CH" não viria pleitear com o "K" e com
"QU" a representação da articulação guttural "KÊ". Hoje, porem, seria
impossivel qualquer alteração. Por outro lado o dr. Ramiz Galvão entende
que o representante genuino do chi grego é o "CH". A sua revolta é,
pois, em sentido contrario. Acha correctissimas as graphias MECHANICA,
EPOCHA, CHÔRO etc., e lamenta que o uso fixasse outras erroneas como
KILOMETRO, KILOGRAMMO etc., onde a articulação inicial transcreve o chi,
pelo que deviam taes palavras escrever-se: CHILOMETRO, CHILOGRAMMO, como
no italiano. As palavras em que a lettra composta dessa procedencia é
inicial são todas de formação erudita. Dentre ellas as mais vulgares
são: CHALDEU, CHAOS, CHIMERA, CHIMICA, CHIROMANCIA, CHLAMYDE, CHLORO,
CHOLAGOGO, CHOLERA (MORBUS), CHORÉA, CHOREU, CHOREOGRAPHIA,
CHOROGRAPHIA, CHRISMA, CHRISTO, CHROMO, CHRONICA, CHRYSALLIDA, CHYMO,
CHYLO e suas congeneres: CHALDAICO, CHAOTICO, CHIMERICO, CHIROMANTE,
CHLORATO, CHLORAL, CHOLERINA, TERPSICHORE, CHOROGRAPHICO, CHRISMAR,
CHRISTÃO, CHRISTIANISMO, ANTICHRISTO, CHROMATICO, ANACHRONICO,
ANACHRONISMO, CHRONOLOGIA etc. Do elemento ARCHE ha numerosas formações:
ARCHANJO, ARCHONTE, ARCHEOLOGIA, ARCHETYPO, ARCHIDUQUE, ARCHITECTO,
ARCHIVO, MONARCHIA, ANARCHIA, OLIGARCHIA, PATRIARCHADO (PATRIARCHA). A
transcripção por "CH" encontra-se, outrosim, no corpo das palavras
simples ou compostas de origem grega: MACHINA, TECHNICA (TECHNOLOGIA,
POLYTECHNICA, TECHNOGRAPHIA), ORCHESTRA, PSYCHOLOGIA, ECHOLALIA etc. Por
vezes uma alteração prosodica determinou a perda do "H". A influencia do
"E" e do "I" posteriores ao "C" fez-se sentir, apesar da intercorrencia
do "H", em ARCEBISPO, ARCEBISPADO, ARCEDIAGO, ARCEDIAGADO, ARCIPRESTE,
ARCIPRESTADO. Reapparesce o "H" e, com elle, o som guttural na formação
erudita - ARCHIEPISCOPAL. Foi ainda a mesma influencia que transformou a
prosodia e a escripta de CHIRURGIA em CIRURGIA (CIRURGIÃO, CIRURGICO). A
explicação é que estas palavras se vulgarizaram ao passo que as demais,
pela sua applicação erudita, estiveram fora do alcance dessa chymica
popular da linguagem. Outro exemplo se encontra em CATECHISMO, que se
pronunciava dando ao "CH" correspondente ao chi o valor de "KÊ", ainda
conservado em CATECHESE, CATECHIZAR. Mas a acção popular reduziu o "KÊ"
para "CÊ" e da pronuncia CATECISMO resultou essa graphia. Cabe ainda
mencionar a graphia BATRACIOS, indicadora de uma prosodia diversa da
rigorosamente etymologica: BATRACHIOS. Perdeu-se o "H" de ESCOLA,
ELENCO, CARTA, ACROSTICO, CARACTER, COLERA (SENTIMENTO), HYPOCONDRIO e
derivados; AUTOCHTHONE ja se escreve tambem AUTOCTHONE. O dr. Ramiz
Galvão propõe uma distincção graphica entre CARTA (MISSIVA) e CHARTA
(MAPPA), CHARTOGRAPHIA etc., sem embargo da communidade de origem. Esta
distincção não tem sido feita na graphia usual. Está vacillante o "H" de
EPOCA, CORO, MECANICA, MELANCOLIA, que ja preferimos assim. A tendencia
é para simplificar; antes de "E", "I", "Y" (CHELONIO, MONARCHIA, CHYMO,
CHYLO) a representação se manterá, a menos que se dê corrupção
prosodica, como accontesceu em CIRURGIA, CATECISMO. Para manter o valor
guttural sem o "CH" seria preciso confiar esse papel ao "K" ainda mais
extranho à physiognomia das nossas palavras ou o digramma "QU", que,
alem de nada simplificar, geraria duvidas na pronuncia.}


Com effeito, o nosso Nogueirinha é mesmo um authentico vacillão! Si,
como elle às vezes affirma, "a tendencia é para simplificar", seu manual
nem teria razão de ser e elle não precisaria fazer a vehemente defesa
que faz, em outros momentos, da orthographia etymologica: bastava
capitular duma vez às correntes phoneticistas que, ja àquella epocha
(decada de 1920, quando sua obra foi publicada), propunham a reforma que
em 1943 seria officializada no Brazil. Mas, grande conhescedor da lingua
que era, Nogueira teve o merito de registrar posições antagonicas, como
as de Julio Ribeiro e de Ramiz Galvão no paragrapho accyma transcripto
entre chaves. Obviamente estou aqui para referendar a opinião de Galvão
e para refutar a de Ribeiro, si não tambem este blog não teria razão de
ser. Cabe, então, apponctar os casos em que não endosso os commentarios
de Nogueira.


Primeiramente, ja expliquei por que admitto as formas KILOMETRO e
KILOGRAMMA ao lado de CHILIOGONO: teriamos que graphar CHILIOMETRO e a
abbreviatura KM perderia o sentido. O verdadeiro elemento compositivo
para "mil" é CHILIO e não CHILO, que significa "labio". Lamento, neste
poncto, ter de corrigir Galvão, com quem sympathizo. A graphia correcta
de CHYMICA é com "Y" e não com "I" como acceita Nogueira. Em hypothese
nenhuma posso admittir que o "H" se tenha "perdido" em EPOCHA, ESCHOLA,
ELENCHO, CHARTA, CHARACTER, ACROSTICHO, CHOLERICO, HYPOCHONDRIACO ou
AUTOCHTHONE, como deixo claro nos commentarios addicionaes ao meu
DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO. Não vejo necessidade de distinguir CARTA de
CHARTA e acho que o "H" deve valer tanto em CHARTEIRO como em
CHARTOGRAPHO. Nem por sombra acho "vacillante" o "H" de MECHANICA ou
MELANCHOLIA. Quem disse que preferimos assim? Quem preferir que escreva
sem "H"; eu não. Não é o "H" que estaria "vacillante": Nogueira é que
era vacillão! Os unicos casos em que admitto o desapparescimento do "H"
são os de CATECISMO, CIRURGIA, ARCEBISPO etc., consolidados pela
tradição, mais que pela importancia da prosodia. Apenas como excepção
prosodica, analoga à excepcionalidade do "K" em KILOMETRO ou
KALEIDOSCOPIO, é que o adopto em KHORO para differenciar de CHORO, pois
acho CORO simplificado demais. Ja que, pela minha optica, a tendencia
deve ser para complicar (estheticamente fallando, no sentido da
sophisticação classicista), não posso concordar com Nogueira e prefiro
KHORO a CORO, emfim.


Vale salientar o motivo pelo qual Nogueira e outros auctores tanto
alludiam ao facto de, aqui ou alli, alguem "preferir" assim ou assado:
antes de 1943 vigorava um systema dicto "mixto", pelo qual cada
escriptor estaria livre para adoptar graphemas mais ou menos rigorosos,
como os de CARTA ou CORO em relação a CHARTA e KHORO. Dahi que,
contrario que sou a quaesquer leis que tractem phenomenos linguisticos
como si fossem materia politica ou burocratica, continuo partindo do
principio de que cada escriptor tem de ficar à vontade para decidir si
acceita ou não as novas regras, que, em ultima analyse, teem de ser
propostas e não impostas.


Aos interessados deixo o link para um menu na nuvem donde podem baixar
os archivos do DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO e de outras obras pertinentes.


https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0


///

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

SEPTEMBRO/2016: POSTHUMOS THESOUROS QUE NOSSOS THIOS NOS OUTHORGARAM



O leitor que me consulta desta vez sabe que seu nome, Theophilo,
significa devoto de Deus e até brinca que, si fosse "temente a Deus",
deveria chamar-se Theophobo. Sua duvida, entretanto, tem a ver com o
"TH", transcripto do theta: elle quer saber como podemos differenciar
palavras com "TH", como THEOLOGIA, de outras com "T" simples, como
TELEOLOGIA, ja que ambas teem origem grega.


Minha resposta é que, tal como no caso do "PH" em relação ao "F" ou do
"Y" em relação ao "I", a solução practica é decorar os graphemas mais
communs, alem daquelles que chamam a attenção pela apparente homographia
que os phoneticistas induzem a occorrer, como entre THESOURO e TESOURA,
cuja origem ja expliquei neste bloguinho de notas. Vamos conferir o que
nosso collega philologo Julio Nogueira escreve em seu MANUAL
ORTHOGRAPHICO BRAZILEIRO, ao qual não me furto a fazer reparos:


{Esta lettra composta é a transcripção regular do theta grego ja operada
no latim. Como inicial cabe, entre outras palavras, em: THALAMO,
THAUMATURGO, THEATRO, THEBAS, THEMA, THEOREMA, THEORIA, THERAPEUTICA,
THERMAS (THERMOMETRO), THESE, THESOURO, THORAX, THRONO, THRENO, THYRSO e
congeneres. Cahiu o "H" em TROMBOSE.


Do elemento THEOS (deus) encontra-se em THEOLOGIA, THEOGONIA, THEURGIA,
THEODICÉA, THEOSOPHIA, APOTHEOSE, ENTHUSIASMO.


Do elemento ANTHROPOS (homem) apparesce em ANTHROPOIDE, ANTHROPOLOGIA,
ANTHROPOMETRIA, ANTHROPOMORPHISMO, ANTHROPOPHAGIA, MISANTHROPO,
PHILANTHROPO.


Do elemento ORTHO (recto, verdadeiro), em: ORTHODOXO, ORTHOEPIA,
ORTHOGONAL, ORTHOGRAPHIA, ORTHOPEDIA, ORTHOPHONIA, ORTHOPNÉA.


Vê-se no corpo de vocabulos portuguezes sempre correspondendo à mesma
transcripção: CATHEDRA, CATHOLICO, COTHURNO, ABSINTHO, AEROLITHO (tambem
ja escripto sem "TH"), ANACOLUTHO, ANATHEMA, ANESTHESIA, ANTHOLOGIA,
ANTHRAZ, APOTHEMA, ARTHRITE, ARITHMETICA, ASTHENIA, ASTHMA, RHYTHMO,
PARENTHESE, PLETHORA, LETHARGO, APATHIA (SYMPATHIA, ANTIPATHIA,
TELEPATHIA), MYTHO (MYTHOLOGIA), LITHOGRAPHIA, LABYRINTHO. Por falsa
analogia com THESOURO tem-se escripto o "TH" em TESOURA (TONSORIA). É
egualmente indevido o "TH" em TEOR, que nada tem com THEORIA. Escreve-se
erradamente o "TH" em CATEGORIA, onde originariamente existe um tau e
não theta. Por algum tempo se escreveu tambem OUTORGAR e corradicaes com
um "H" improprio. Essa cacographia tabellioa ja vae desapparescendo. O
"H" foi abandonado em palavras que se tornaram muito vulgares, como TIO,
CANTARO, TALO. Por falsa etymologia escreveu-se tambem POSTHUMO com
"TH", practica ja em via de correcção. Suppunha-se haver na composição
desta palavra o vocabulo HUMUS e até em latim se encontra ja a
cacographia POSTHUMUS. Hoje está reconhescido à luz dos estudos
etymologicos e morphologicos que POSTUMUS é simplesmente o superlativo
de POST. O "H" de THEMA leva alguns a usal-o incabidamente em SYSTEMA.
No nome proprio THIAGO o "TH", comquanto indevido, é hoje irremediavel.
O mesmo cabe dizer em relação a THEREZA. Existe "TH" em BISMUTHO,
WERMUTH (de origem alleman).}


O incorrigivel Nogueirinha sempre commette suas incoherencias, fazendo
concessões simplificadoras ao lado de attitudes inflexiveis, estas com
meu inteiro appoio e aquellas com meu repudio. Entre as concessões que
não faço estão as palavras THROMBOSE (na qual o "H" só "cahiu" na cabeça
de quem acceita tal queda), AEROLITHO (na qual o elemento LITHO jamais
pode ommittir o "H", como em LITHOGRAPHIA, mencionada pelo proprio
Nogueira), OUTHORGAR (na qual a cacographia está sanccionada pela
tradição, factor consuetudinario tão importante quanto o scientificismo
etymologico allegado por Nogueira), POSTHUMO (pela mesma razão que rege
o graphema precedente), THIO, CANTHARO, THALLO (nas quaes a allegação de
uso vulgarizado não justifica qualquer simplificação, até porque
Nogueira não abre mão de THEREZA e THIAGO, como eu, nem de CATHEDRA ou
THALAMO), affora os casos typicamente anglophonos (como AUTHOR ou
ARTHUR), ja commentados aqui.


Em summa, não desmeresço os escrupulos de Nogueira em relação a
cacographias como a occorrencia indevida de "TH" em CATEGORIA, SYSTEMA
ou TESOURA, mas nos casos em que a forma historica ja se crystallizou,
como THEREZA, THIAGO ou POSTHUMO, o que deve prevalescer é sempre a
escripta menos simplificada, objectivo maximo dos battalhadores pela
causa preservacionista do idioma.


Aos interessados deixo o link para um menu na nuvem donde podem baixar
os archivos do DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO e de outras obras pertinentes.


https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0


///

sábado, 30 de julho de 2016

AGOSTO/2016: DIRECTO AO PONCTO COM DIREITO AO FEITO



Este mez é o leitor Rodolpho quem me provoca com a seguinte questão:


- Dentre varias palavras que na orthographia official se escrevem como
RET... (RETA, RETO, RETÂNGULO, RETAGUARDA, RETÍFICA, RETÍCULA, RETINA,
RETINÓIDE, RETICÊNCIA, RETOR, RETÓRICA, RETOSCÓPIO), por que você
escreve algumas como RECT... e outras não?


Elle approveita para perguntar de onde vem o "PH" de seu nome e si não
deveria ser "RHODOLPHO", como RHODODENDRO ou "RHODOANNEL". Calma, que na
segunda questão a confusão foi maior. Comecemos por esta.


Em RODOLPHO o "PH" vem do pospositivo "OLPHO" (provindo do graphema
germanico WULF ou WOLF, significando "lobo" e latinizado como "ULPHUS"),
presente em nomes como ADOLPHO, ASTOLPHO ou RANDOLPHO. O antepositivo
"ROD" (significando "fama" ou "famoso") é o mesmo de RODRIGO ou
RODERICO, reduzido para "RO" em ROBERTO, ROGERIO ou RONALDO. Ja na
palavra RODOANNEL o antepositivo RODO é o mesmo de RODOVIA, ROTULA ou
ROTATORIA, ou seja, a matriz latina ROTA que deu RODA em portuguez, e
não a matriz RUPTA que nos deu ROPTA e DERROPTA [DES+ROPTA], ou seja, em
nenhum destes casos se justifica um "RH" que só occorre em palavras de
matriz grega, caso de RHETOR, RHETORICA, RHODODENDRO, RHODOGRAPHIA,
RHACHITICO, RHEUMATICO, RHINITE, RHIZOTONICO, RHYTHMO etc. Meu
DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO traz um glossario desses elementos
compositivos gregos, onde RHODO significa ROSA e não RODA. A proposito,
vejamos o que escreve Julio Nogueira em seu MANUAL ORTHOGRAPHICO
BRAZILEIRO, sempre subjeito às devidas rectificações:


{O grupo inicial "RH" apparesce apenas em palavras de origem grega. O
facto de ser aspirado o "RHO" inicial, determinou a sua transcripção
latina por "RH", a qual passou para o portuguez: RHAPSODO, RHETORICA,
RHEUMATISMO, RHINOCERONTE, RHODIO, RHYTHMO e outras palavras menos
vulgares, alem das de creação moderna RHEOSTATO, RHINALGIA, RHIZOTONICO.
A simplificação ja se deu em RONCAR (latim RHONCARE), RACHIS,
RACHITISMO, RACHITICO, RACHIDIANO e ROMBO (ROMBOIDE). O dr. Ramiz
Galvão, a proposito de RACHIS, propõe RHACHE, protestando contra a
suppressão do "H" do grupo inicial "RH", transcripção normal do "RHO". A
transcripção por "RH", quando inicial do segundo elemento de palavra
composta é, às vezes, esquecida, como se dá em HEMORRAGIA (escripta mais
corrente que HEMORRHAGIA) e CATARRO (mais que CATARRHO).}


Desnecessario reaffirmar que me colloco no circulo dos que, como Ramiz
Galvão, não abrem mão duma transcripção coherente e rigorosa. Assim, nem
pensar em simplificar palavras como RHONCHO, RHONCHAR, RHACHITISMO,
HEMORRHAGIA, HEMORRHOIDA, CATARRHO ou DYSRHYTHMIA. Termos como
RHETINOICO, RHETINOIDE e RHOMBOIDE se incluem nessa categoria.


Affora taes casos de hellenismo, vejamos onde cabe um "CT" e onde a
palavra se grapha como "RET...", a exemplo de RETAGUARDA, RETICENCIA,
RETICULA ou RETINA.


RETAGUARDA vem do italiano RETROGUARDIA, como RETABULO do latim
RETROTABULUM. RETICENCIA vem do latim RETICENTIA e RETICULA vem de
RETICULUM. RETINA vem de RETE/RETIS (rede de vasos sanguineos).


Todos os demais casos (RECTANGULO, RECTOSCOPIO, RECTIFICA, RECTIDÃO,
RECTICORNEO, RECTIFLORO etc.) são correlatos ao graphema "RECT" que
occorre em palavras como CORRECTO, DIRECTO, INSURRECTO, RESURRECTO,
entre outras, dahi por que são equivalentes, em portuguez, os graphemas
"ECT" e "EIT" de DIRECTO e DIREITO, AFFECTO e AFFEITO, OBJECTAR e
SUBJEITAR, PROVECTO e PROVEITO, CIRCUMSPECTO e SUSPEITO, evidenciando
que a lettra "C" é tão indispensavel quanto o "I" em FACTO e FEITO,
SATISFACTORIO e SATISFEITO, sendo indevidas as graphias "CORRETO" ou
"AFETO" que os reformistas nos tentam impor.


Aos interessados deixo o link para um menu na nuvem donde podem baixar
os archivos do DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO e de outras obras pertinentes.


https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0


///

sábado, 2 de julho de 2016

JULHO/2016: ANNOITESCERÁ ADVERMELHADO E ADMANHESCERÁ ALLARANJADO



Desta vez é o leitor Affonso quem me traz suas duvidas. A primeira é
sobre seu proprio nome: lembrando o caso do leitor Euclydes (que se
differenciava do grego Euclides), Affonso me indaga o motivo pelo qual o
mesmo nome apparesce com "PH" em Alphonso. Sua curiosidade se aguçou
depois que commentei aqui sobre os casos em que o "PH" não deve ser
confundido com o "F". Outra questão levantada pelo Affonso é a seguinte:


- Você escreve o verbo ADMANHESCER com o prefixo "AD", mas ANNOITESCER
com geminação do "N". Explique-me essa differença, Glauco, e tambem
sobre outros verbos começados por "AD".


Optimo, Affonso, você tocou em ponctos interessantes. Começando pelos
verbos, recapitulemos a historia toda de maneira bem objectiva. Antes
das reformas phoneticas da decada de 1940 (aqui e em Portugal), vigorava
na lingua portugueza um systema informal dicto "mixto", que dava ao
escriptor larga liberdade para adoptar (ou não) alguns graphemas mais
complexos, alem daquelles tradicionalmente acceitos. Assim, ao lado de
expressões como GRAMMATICA, PSYCHOTHERAPIA, DACTYLOGRAPHIA, PHILOSOPHIA,
MYTHOLOGIA, MATHEMATICA, RHETORICA, PHYSICA, CHYMICA, BELLAS LETTRAS ou
SCIENCIAS EXACTAS, que mantinham as lettras duplas e mudas, bem como o
"Y", o "PH", o "TH", o "RH" e o "CH" (com valor de "QU"), varias outras
palavras podiam ser simplificadas, como CHARTA, PHANTASIA, QUATTRO ou
SANCTO, que ja apparesciam nos textos mais descuidados como CARTA,
FANTASIA, QUATRO e SANTO. Até intellectuaes respeitaveis incorriam nesse
relaxamento, talvez por commodismo, talvez por desattenção.


O mesmo se dava com o suffixo "ESCER" dos verbos inchoativos, que ora
seguiam a matriz latina, como em EFFERVESCER, ora seguiam um criterio
dicto "vernaculo", como em EMMAGRECER. Quanto ao prefixo "AD", era
mantido em verbos herdados do latim, mas substituido por um "A"
prothetico nos verbos formados ja no portuguez. Assim, ACCRESCER
[AD+CRESCER] mantinha a assimilação geminada, mas ACREDITAR
[A+CREDITO+AR] não obedescia a mesma logica, como APPROVAR [AD+PROVAR]
em relação a APROVEITAR [A+PROVEITO+AR]. Para augmentar a confusão, nem
sempre o prefixo "AD" soffria assimilação geminativa, como deante das
consoantes "J", "M", "Q" ou "V", mas taes excepções não eram
arbitrarias, pois estavam consolidadas nas novilatinas e até no inglez.
Assim, balanceando a relação entre o "AD" e o "A" prothetico, tinhamos
um quadro verbal deste typo:


ABBREVIAR geminava, mas ABRAZILEIRAR não;
ACCOMMODAR geminava, mas ACARIOCAR não;
ADDICIONAR geminava, mas ADEANTAR não;
AFFIRMAR geminava, mas AFRANCEZAR não;
AGGREGAR geminava, mas AGUARDAR não;
ADJECTIVAR juxtapunha, mas AJUNCTAR não seguia o criterio;
ALLITTERAR geminava, mas ALINHAR não;
ADMINISTRAR juxtapunha, mas AMESTRAR não seguia o criterio;
ANNOTAR geminava, mas ANOITECER não;
APPOR geminava, mas APORTUGUEZAR não;
ADQUIRIR juxtapunha, mas AQUINHOAR não seguia o criterio;
ATTRAHIR geminava, mas ATRAVESSAR não;
ADVERTIR juxtapunha, mas AVENTURAR não seguia o criterio.


Ora, a reforma nivelou tudo por baixo e eliminou quaesquer geminações
(menos RR e SS, como em ARRISCAR ou ASSENHORAR), mas os indecisos
academicos se exquesceram de padronizar os inchoativos, mantendo alguns
verbos em "ESCER" ao lado de outros em "ECER". Que faço eu? Padronizo
tudo, mas na direcção opposta à da pretensa simplificação: alem de
restaurar aquillo que os reformistas aboliram, adoptei "ESCER" em todos
os casos, egualando aquelles como AGGRADESCER e EMMUDESCER àquelles como
ACCRESCER e EFFERVESCER. Quanto ao "A" prothetico dos verbos
approximativos (ou assimilativos, como queiram), troquei-o por "AD" até
nos casos typicamente vernaculos, como ABBRAZILEIRAR, ACCARIOCAR,
ADJOELHAR, ADMINEIRAR, APPORTUGUEZAR, ADVERMELHAR etc. Isso explica a
juxtaposição nos casos em que a regra a exige, como ADJUNCTAR, ADMESTRAR
ou ADVENTURAR. No caso de ACQUINHOAR (como em ACQUIESCER), o "AD" se
converte em "AC". Dahi por que, ao lado de ANNOITESCER, obrigo-me a
graphar ADMANHESCER e não "AMMANHESCER", forma inexistente no idioma.


Approveitando a deixa, restaurei o rigor orthographico tambem naquelas
palavras que o systema mixto mantinha numa morphologia meia bocca, taes
como DITHONGO ou CHIMICA, que os phoneticistas reformaram como DITONGO e
QUÍMICA, mas que na forma correcta devem ser DIPHTHONGO e CHYMICA. Em
summa, alem de rigoroso sou coherente, ao contrario dos reformistas de
meia tigela que tiraram o "S" de SCIENCIA mas não tiveram colhão para
propor a consequente forma "CONCIENCIA".


Antes que alguem pergunte que auctoridade tenho eu para systematizar
nossa orthographia, allego que tenho a mesma legitimidade individual
(como escriptor e como estichologo) que tem qualquer academico, por mais
illustre que este seja. Todos somos philologos quando se tracta de zelar
pela integridade da nossa lingua nativa e quando temos conhescimento de
causa para theorizar e practicar aquillo que professamos, ué! Ninguem é
obrigado a me seguir, como ninguem pode me obrigar a escrever de accordo
com um "acordo" com o qual não concordo, ora!


Falta explicar ao Affonso por que alguns de seus xarás se assignam como
Alphonso. Paresce que a origem do nome não é latina, mas visigothica: a
palavra FUNS, latinizada como PHONSUS ou FONSUS, significaria "prompto",
"preparado" ou "apto". Assim, palavras como ADAL (nobre) ou HILDE
(battalha) poderiam ser combinadas para gerar conceitos typo "nobremente
preparado" (ADALPHONSUS) e "prompto para a battalha" (HILDEPHONSUS). Na
forma FONSUS, o prefixo "AD" geraria a assimilação de ADFONSUS para
AFFONSUS, mas na forma PHONSUS o "AD" se alteraria para "AL", talvez por
analogia contracta com ADAL+PHONSUS. O facto é que esse nome passou para
o francez e o inglez com "PH" e para o hespanhol com "F": ALFONSO. Em
portuguez ficou como AFFONSO, que os phoneticistas simplificaram para
AFONSO, obcecados que são contra as lettras duplas. Na practica, os
xarás devem saber que, si forem bem preparados, estarão aptos para
graphar das duas maneiras, ALPHONSO e AFFONSO, com a mesma convicção que
tenho ao graphar Mattoso com "T" geminado.


Portanto, não quero saber quem pintou a Casa Verde. Não accaptarei o
acto dos academicos e, como diria Gil, emquanto a goyabada for feita de
goyaba, escreverei com minha sciencia e minha consciencia, ainda que
annoitesça advermelhado e admanhesça allaranjado, ou por isso mesmo...


Aos interessados deixo o link para um menu na nuvem donde podem baixar
os archivos do DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO e de outras obras pertinentes.


https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0


///

sábado, 4 de junho de 2016

JUNHO/2016: PARA GRAPHAR O "F" NÃO TEMOS QUE GARFAR O "PH"



Na postagem do mez passado commentei a questão levantada pelo leitor
Euclydes accerca do emprego do "Y" e do "I" em palavras de origem
grecolatina. Agora commento o uso do "PH" e do "F", complementando a
dica sollicitada por elle.


Si nos hellenismos latinizados a coexistencia do "I" e do "Y" pode
suscitar duvidas, a confusão do "PH" e do "F" só occorre no ambiente
novilatino, uma vez que no grego o "F" não existia. Eis a razão pela
qual actualmente convivemos com vocabulos como EFFEITO ao lado de
EPHEBO, OFFICIO ao lado de OPHIDIO, FETO ao lado de PHOTO, FALLACIA ao
lado de PHILAUCIA ou FRUCTIFERO ao lado de PHOSPHORO. Dahi por que a
melhor dica seria a de que o "PH" só occorre em palavras de origem
grega, emquanto o "F" indica matriz latina. Differenciar umas das outras
exige alguma experiencia, mas sempre são uteis aquellas tabellinhas
mnemonicas que, a exemplo das tabuadas arithmeticas, adjudam a
accostumar o estudante (ou o estudioso) aos casos mais typicos.


Meu DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO traz tabellas mais completas, mas aqui dou
uma admostragem dos casos de latinismos e hellenismos matriciaes que
geram e disseminam derivados pelo idioma. Primeiro a tabella parcial de
latinismos:


FALCI em FALCIFORME, FALCIMALLEO
FASCIO em FASCIOTOMIA
FEITO em AFFEITO, CONFEITO, DEFEITO, EFFEITO, PERFEITO
FENDER em DEFENDER, INFENDER/INFENSO, OFFENDER
FERIR em AFFERIR, CONFERIR, DIFFERIR, INFERIR, PREFERIR, TRANSFERIR
FERO em FRUCTIFERO, GYPSIFERO
FICIO em ARTIFICIO, OFFICIO, ORIFICIO, PASTIFICIO
FIDE [ou FIDEI] em FIDEDIGNO, FIDEICOMMITTENTE
FIDO em MULTIFIDO, PENNATIFIDO
FIGURAR em AFFIGURAR, CONFIGURAR, DESFIGURAR, PREFIGURAR
FILI em FILIFORME, FILIGRANA
FINI em AFFINIDADE, FINIANNUAL, FINISEMANAL, FINISECULAR
FIRMAR em AFFIRMAR, CONFIRMAR
FISSI em FISSIDACTYLO
FIXAR em AFFIXAR, PREFIXAR, TRANSFIXAR
FLABELLI em FLABELLIPEDE
FLAMMI em FLAMMIGERO
FLAVI em FLAVIPEDE
FLIGIR em AFFLIGIR, CONFLIGIR/CONFLICTO, INFLIGIR
FLUCTI em FLUCTISONANTE, FLUCTIVAGO
FLUIR em AFFLUIR, EFFLUIR, INFLUIR, REFLUIR
FLUO em SUPERFLUO, MELLIFLUO
FLUVIO em EFFLUVIO, FLUVIOMETRO
FOLIO em MILLEFOLIO, OPPOSITIFOLIO, QUADRIFOLIO
FORMAR em CONFORMAR, DEFORMAR, PERFORMAR, REFORMAR, TRANSFORMAR
FORMICI em FORMICIVORO
FORMIO em CHLOROFORMIO, LYSOFORMIO
FRAGI em FRAGIFERO
FRAGIO [ou FRAGO] em NAUFRAGIO, OSSIFRAGO
FRATRI em FRATRICIDA
FRIGI em FRIGIFUGO
FRONDI em FRONDICOLA
FRONTAR em AFFRONTAR, CONFRONTAR, DEFRONTAR
FUCI em FUCICOLA, FUCIVORO
FUGO em CENTRIFUGO, HYDROFUGO, VERMIFUGO
FULMINI em FULMINIVOMO
FULVI em FULVIROSTRO
FUMI em FUMIFLAMMANTE, FUMIFUGO
FUNDIR em AFFUNDIR, CONFUNDIR, DIFFUNDIR, INFUNDIR, TRANSFUNDIR
FUNI em FUNIFORME
FURCI em FURCIFORME
FUSCI em FUSCIROSTRO


Note-se que varios exemplos são composições mixtas com hellenismos, como
CHLOROFORMIO, FASCIOTOMIA, FISSIDACTYLO, FLUVIOMETRO, GYPSIFERO e
HYDROFUGO, mas taes hybridismos são opportunos para que attentemos ao
facto de que nem sempre a presença de elementos compositivos gregos
basta para justificar um "PH" em qualquer caso.


A seguir, collo uma tabellinha de affixos gregos iniciados por "PH",
para contrastar com a lista precedente:


PHACO em APHACIA, PHACOPYOSE
PHAGO [ou PHAGIA] em PHAGOCYTOSE, ANTHROPOPHAGO
PHALACRO em PHALACROCARPO
PHALLO em PHALLOCRACIA
PHANERO em PHANEROGAMICO
PHANO em DIAPHANO
PHANTA em HIEROPHANTA, SYCOPHANTA
PHARMACO em PHARMACODYNAMICA
PHASEOLO em PHASEOLIFORME
PHASIA em DYSPHASIA, PARAPHASIA
PHATNIO em PHATNIORRHAGIA
PHELLO em PHELLOGENIO
PHEMIA em EUPHEMISMO, DYSPHEMIA
PHENGO em PHENGOPHOBIA
PHENO em PHENOLOGIA, PHENOMENO
PHEO em PHEODERMICO
PHILO [ou PHILIA] em PHILOSOPHIA, COPROPHILIA
PHLEBO em PHLEBOTOMIA
PHLEO em PHLEOPHAGIA
PHLOGO em PHLOGISTICO
PHLOO em PHLOOPLASTIA
PHOBIA [ou PHOBO] em PHOTOPHOBIA, PHOBOPHOBO
PHOLO [ou PHOLI] em PHOLIDOTO
PHONO em LUSOPHONO, PHONOGRAMMA
PHORESE em ELECTROPHORESE
PHORO em SEMAPHORO, PHOSPHORO
PHOS [ou PHOSIA] em PHOSPHENO, CHROMOPHOSIA
PHOTO em PHOTOPHOBIA, PHOTOMETRO
PHRAGMATO em PHRAGMATOPHORO
PHRAGMO em PHRAGMOSE, DIAPHRAGMA
PHRASE [ou PHRASTICO] em PERIPHRASE, METAPHRASTICO
PHRENO em PHRENOLOGIA
PHRYNO em PHRYNOMORPHO
PHTHIRO em PHTHIRIASE
PHTHISIO em PHTHISIOLOGIA
PHYCO em PHYCOLOGIA
PHYLLO em PHYLLODENDRO, CHLOROPHYLLA
PHYMO [ou PHYMATO] em PHYMATOSO
PHYRO em GRANOPHYRO
PHYSIO [ou PHYSE] em PHYSIOTHERAPICO, APOPHYSE
PHYTO em PHYTOCHYMICA, PHYTOTHERAPIA


Obviamente não estou aqui suggerindo que listas desse typo sejam
guardadas na poncta da lingua (ou dos dedos), mas quem as consulta e
reconsulta vae se lembrar de que FALLO (verbo FALLAR) não se escreve
como PHALLO (penis), nem FACA como PHOCA, nem FRAGMENTO como DIAPHRAGMA,
nem AFRODESCENDENTE como APHRODISIACO, nem DESAFFORO como APHORISMO.


Outros paradigmas são mencionados no MANUAL ORTHOGRAPHICO BRAZILEIRO de
Julio Nogueira, do qual transcrevo o trecho pertinente, resalvados os
apponctamentos finaes, ja que nosso querido Nogueira nunca excappa de
algum quinau da parte dos que prezam uma escripta rigorosa e coherente.


{O digramma "PH" representa o "PHI" grego, de que foi transcripção
latina. Apparesce como inicial em muitas palavras: PHAGOCYTO, PHALANGE,
PHALENA, PHARMACIA, PHAROL, PHARYNGE, PHASE, PHENICO, PHENIX, PHENOMENO,
PHLEBITE, PHLEGMÃO (popularmente FLEIMÃO), PHLEUGMA, PHILTRO, PHOCA,
PHOSPHORO, PHRASE, PHRYGIO, PHYLLOXERA, PHYSICA, PHYSIOGNOMIA,
PHYSIOLOGIA, e corradicaes de todas essas palavras, alem de grande
numero de palavras eruditas applicadas às sciencias e às artes.


Do elemento PHONÉ (voz) apparesce em PHONEMA, PHONETICA, PHONOLOGIA,
GRAMMOPHONE, PHONOGRAPHO, TELEPHONE, APHONIA, ANTIPHONA, SYMPHONIA, etc.


Do elemento PHILOS (amigo), em: PHILHARMONICA, PHILANTHROPO, PHILAUCIA,
PHILOLOGIA, PHILOSOPHIA, PHILATELIA, THEOPHILO, PHILIPPE, HYDROPHILO,
BIBLIOPHILO, etc. E alguns hybridismos, como: FRANCOPHILO, GERMANOPHILO,
etc.


Do elemento GRAPHO (eu escrevo), em: GRAPHIA, ORTHOGRAPHIA, NEOGRAPHIA,
CACOGRAPHIA, GRAPHOLOGIA, GEOGRAPHIA, CHOROGRAPHIA, OCEANOGRAPHIA,
PHONOGRAPHO, TELEGRAPHO, HIEROGRAPHIA, PHOTOGRAPHIA, LITHOGRAPHIA.


Do elemento MORPHÉ (forma), em: MORPHOLOGIA, MORPHOGENIA, MORPHEMA,
MORPHEU, MORPHINA (MORPHINOMANO), AMORPHO.


Do elemento PHOTÓS (luz) em: PHOTOGRAPHIA, PHOTOTYPIA, PHOTOMETRO,
PHOTOPHOBIA.


Do elemento PHAG (de PHAGEIN, comer), em: PHAGOCYTO, ANTHROPOPHAGO,
GEOPHAGO (que come terra).


Do elemento KEPHALÉ (cabeça), em: CEPHALALGIA, ENCEPHALO, ACEPHALO,
MACROCEPHALO, MICROCEPHALO, HYDROCEPHALIA, BUCEPHALO (cabeça de boi. Era
o nome do cavallo de Alexandre).


Do elemento PHÓBOS (medo, horror, adversão), em: PHOBIA, HYDROPHOBIA,
XENOPHOBIA (adversão ao extrangeiro), PHOTOPHOBIA.


No corpo da palavra são innumeras as vezes em que apparesce o "PH":
APHASIA, APHELIO, APHORISMO, APHTHA, APOCRYPHO, APOSTROPHE, OPHIDIO,
OPHTHALMIA, ELEPHANTE, NYMPHA, LYMPHA, DELPHIM, PORPHYRO. O esquecimento
prosodico se deu em PHTHISICA pelo que ora se representa ainda o "TH"
correspondente ao theta: THISICA, ora se reduz a palavra a TISICA, forma
que ja nos paresce preferivel. Outro tanto cabe dizer em relação a
DIPHTHONGO, TRIPHTHONGO, que escrevemos DITONGO, TRITONGO. Somente os
irreductiveis hellenizantes pronunciam ainda hoje TRIFTONGO, DIFTONGO. O
digramma "PH" reduziu-se a "F" em FAISÃO (PHASIANA, ave do rio Phasis)
em FEIJÃO (PHASEOLUS, emprestimo do grego). Ha tendencia pronunciada
para escrever FANTASIA, FANTASMA, FRENESI, FRENETICO, formas ja hoje
preferiveis. Quanto a FANAL esta deve ser a graphia, ja auctorizada pela
transcripção do baixo latim FANALE. Ainda não se generalizou a escripta
FRASE.}


Começando pelo fim, replico que PHRASE com "F" é coisa que jamais
poderia se "generalizar", a menos que, ja na decada de 1920, Nogueira
acceitasse duma vez a reforma que, infelizmente, accabou sobrevindo em
1943. Si Nogueira não se posiciona entre os que chama de "irreductiveis
hellenizantes", eu me posiciono entre os irreductiveis militantes
etymologistas que escrevem PHTHISICA e DIPHTHONGO com a maior convicção.
Va la que alguns de nós não façamos questão de graphar PHAISÃO, PHLEIMÃO
ou PHEIJÃO, mas não podemos abrir mão de PHANTASIA, PHANTASMA ou
PHRENESI, absolutamente. Quanto ao baixo latim, Nogueira o invoca para
justificar uma simplificação, mas quando se tracta de invocar
etymologismos consuetudinarios para justificar uma forma estheticamente
melhor, como CALIPHA ou CAMPHORA (bem como COLYSEU ou SEPULCHRO), ahi
elle vem dizer que são fontes illegitimas. Até paresce vicio ideologico
esquerdizante, livrae-nos Zeus! Apesar de tudo, nosso Nogueirinha
permanesce digno de carinhosa memoria, que Zeus o tenha.


Aos interessados deixo o link para um menu na nuvem donde podem baixar
os archivos do DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO e de outras obras pertinentes.


https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0


///

sábado, 30 de abril de 2016

MAIO/2016: MYTHICO LABYRINTHO ETYMOLOGICO





Accabo de ganhar novo leitor deste bloguinho de notas, que é novo tambem
na edade, 22 annos. Chamado Euclydes, traz-me duas questões que,
comquanto ja tractadas exhaustivamente por mim, aqui e alhures, merescem
ser sempre... renovadas. A primeira diz respeito ao emprego do "Y"; a
segunda, do "PH". O joven enthusiasta da etymographia me pede algumas
dicas para, segundo elle, mappear os "neophytos" no "labyrintho grego"
da "mythologia etymologica", como define a nossa matriz grecolatina.


Quanto ao "PH", deixo para a proxima postagem a dica sollicitada. Quanto
ao "Y", farei agora uma abbordagem bem didactica. A curiosidade do
Euclydes nasceu de seu proprio nome, ja que foi baptizado assim em
homenagem ao escriptor Euclydes da Cunha. Occorre que elle verificou, ja
na faculdade, que agraphia correcta seria EUCLIDES e ficou confuso.
Affinal, o auctor de OS SERTÕES viveu na phase em que a etymographia era
vigente. Como poderiam ter errado ao registrar seu nome em chartorio,
numa epocha em que o nivel de escholaridade dos funccionarios lettrados
devia ser mais elevado? Boa pergunta, mas tractando-se de Brazil sempre
houve gente despreparada occupando cargos por appadrinhamento ou, como
se dizia, "pistolão", coisa que paresce não ter mudado nos nossos tempos
de alto QI (Quem Indica), não é mesmo?


Para responder ao Euclydes, começo lembrando o caso do professor
Zerbini, famoso cardiologista, pioneiro dos transplantes no Brazil. Seu
prenome era Euryclides. Note-se que a palavra é composta de dois affixos
gregos e o "Y" só occorre no primeiro delles, EURY, que significa
"largo" ou "extenso". Meu DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO traz um glossario
desses affixos. Pois bem: segue-se que o nome de EUCLIDES (em grego
EUKLEIDES) tambem é composto de dois elementos, sendo o primeiro EU (que
significa "bom") mas não sendo o segundo o mesmo CLIDO que significa
"clave" ou "chave" e sim KLEOS, que significa "gloria". Fazem sentido,
pois, as traducções de "ampla gloria" para EURYCLIDES e de "boa gloria"
para EUCLIDES. A confusão na graphia de EUCLIDES tem ao menos uma
utilidade: distinguir os adjectivos EUCLIDEANO (referente ao mathematico
Euclides) e EUCLYDEANO (referente ao escriptor Euclydes da Cunha), para
effeitos estrictamente theoricos. Na practica, o que interessa é
introduzir alguem no universo philologico, de modo a preparal-o para
discernir de prompto quando uma origem grega justifica a graphia com "Y"
em logar de "I".


Antes de proseguir, transcrevo o trecho que tracta do "Y" no MANUAL
ORTHOGRAPHICO BRAZILEIRO de Julio Nogueira, ao qual sempre tenho de
fazer varios reparos:


{Esta lettra appresenta, mais ou menos, a forma que tinha o "ypsilon"
grego maiusculo (Y). O seu valor originario era o de um "U" francez ou
de um "Ü" allemão. No romaico ou grego moderno confunde-se com o de um
"I". No portuguez foi sempre o de um "I", dando occasião a duvidas
graphicas. Na graphia anteclassica o "Y" representava o duplo "I":
CORREYO, FEYO etc., como no francez PAYER. O "upsilon" foi transcripto
por "Y" no latim, de onde directamente nos provêm as palavras em que
figura, alli ja existentes. Algumas vezes foi transcripto por "U", como
em MURTA (tambem MYRTA), TUMBA e, mais raramente ainda, por "V":
EVANGELHO. Em syllaba inicial é precedido do "H", indicando esta lettra
a aspiração constante do "ypsilon" grego. O "H", neste caso, é mais um
signal, um espirito, do que uma lettra, "Spiritum magis quam litteram
dici opportet" (Aulo Gellio). Daquella convenção resultam as graphias
HYDRA, HYENA, HYMNO etc. Esta aspiração desapparesceu ja no latim,
ficando, porem, o "H" inicial como um simples indicio etymologico. É
caso singular a falta de aspiração inicial na propria palavra grega
YPSILON, o nome da lettra, razão por que não a escrevemos com "H". No
corpo da palavra dá-se ainda a transcripção do "ypsilon" por "Y":
ABYSMO, CYNICO, DYNAMITE, ESTYLETE, ESTYLO, GYNECEU, IDYLLIO, LYRA,
LYRICO, ONYX, PORPHYRO, TYMPANO, TYRANNO, etc. Está oblitterado em
ANEURISMA, forma que se generalizou. O desconhescimento desses preceitos
tem determinado o emprego erroneo do "Y" em palavras como: COLISEU,
ECLIPSE, ENIGMA, ESTIGMA, ESPHINGE, LIRIO, GIRIA, OLIGARCHIA, SATIRA
(por confusão com SATYRO), SIPHÃO e outras onde tal lettra não tem razão
de ser. Em casos de digraphia determinados pelo uso é preferivel "I":
LAGRIMA, GIRO, GIRAR, GIROSCOPIO. O "Y" mantem-se no portuguez em
palavras de origem ingleza ou que nos vieram por intermedio do inglez:
YANKEE, YACHT, JOCKEY, TILBURY, PENNY, WHISKY, JURY, DANDY, RAILWAY,
TRAMWAY, BOY-SCOUT, etc. Apparesce ainda o "Y" em palavras de outras
linguas: YATAGAN, BEY (turco). Por uma convenção pouco acceitavel o "Y"
entrou para a graphia de palavras da lingua tupy. Ha nesta um "I"
guttural, que, sem correspondente na nossa phonologia, ora foi
transcripto por "I", ora por "Y", ora por "U". O visconde de
Beaurepaire-Rohan menciona o facto de existir aqui a freguezia de
Guaratyba e no Paraná, a villa de Guaratuba, quando estes dois vocabulos
são a mesma cousa pela origem e significação. O "Y" deveria corresponder
a esse "I" guttural que Montoya representa por um "I" latino com o
signal de breve, Anchieta, por um "I" com um poncto subscripto e por
"IG", no fim da palavra. Deu-se, porem, a confusão e o "Y" apparesce em
palavras como TUPY, GUARANY etc.}


Commentemos, então, os ponctos annotados por Nogueira e, em seguida,
farei minha synthese do assumpto. Em primeiro logar, lembremo-nos de que
Nogueira, embora contrario às reformas phoneticistas, fazia concessões a
uma simplificação que nós, etymologistas, não acceitamos. Assim, o "Y"
de ANEURYSMA só foi "oblitterado" por quem quiz engolir tal
"oblitteração", pois na phase prequarentista nenhuma lei obrigava (nem
desobrigava) ninguem a adoptar um systema dicto "mixto", que mesclava
formas mais ou menos rigorosas. ANEURYSMA leva "Y" tanto quanto ABYSMO
ou CATACLYSMA (tambem na forma CATACLYSMO), inquestionavelmente.
Portanto, em casos de digraphia é preferivel, isto sim, o "Y" ao "I",
como em GYRO, GYRATORIO, LAGRYMA ou LACRYMOGENEO. Quanto a COLYSEU, o
simples facto de que, em algum momento, tenha havido a forma latina
COLYSEUS (ainda que "medieval") é o sufficiente para que a acceitemos
como succedanea da original COLOSSEUM. Quanto a SATYRA, ja expliquei,
neste mesmo blog, que é tão latina quanto SATURA ou SATIRA:


{Succede que, no alphabeto romano, as lettras "U" e "V" eram
representadas só pelo "V", donde a graphia AVGVSTVS para AUGUSTUS. Ora,
a pronuncia do upsilon grego era semelhante ao "U" francez ou ao "Ü"
allemão, soando como uma fusão de "U" e "I". Dahi a solução latina de
collocar um "V" sobre um "I", creando a lettra que passaria a ser
chamada de ypsilon. Todos os graphemas que passaram do grego ao latim e
à actualidade foram translitterados assim, como CYCLO, DYNAMO, HYDRO,
KYSTO, LYRA, MYTHO, NYMPHA, PSYCHO, RHYTHMO, SYNTHESE ou TYPO. Algumas
formas, porem, permanesceram oscillantes, vacillando entre uma e outra
vogal, como em MURTA e MYRTA. É o caso de SATYRUS que, na accepção
feminina SATYRA, mixturou SATURA e SATIRA para designar a miscellanea
poetica a serviço da mordacidade e da malicia. SATURA tem a ver,
inclusive, com o verbo SATURAR. Evidentemente, o correcto seria
preservar a transcripção SATYRA, com os respectivos cognatos SATYRICO e
SATYRISTA, ao lado de SATYRISMO e SATYRIASE, referentes a SATYRO. Assim
fez Bilac quando, em seu TRACTADO DE VERSIFICAÇÃO, graphou SATYRA para
alludir à poesia mordazmente critica. Aqui me penitencio por ter dicto
que elle havia commettido um equivoco e ja registrei a resalva no meu
diccionario. O problema é que os maldictos phoneticistas sempre forçam a
barra para nos induzir ao erro, quando affirmam categoricamente,
inclusive em diccionarios de larga credibilidade, que SATYRO nada teria
a ver com SATIRA. Cumpre-nos desmascarar taes manobras, que escamoteiam
a verdade historica a serviço da malfadada simplificação pretendida
pelos reformistas da orthographia. Pau nelles!}


Nem me detenho na questão dos tupynismos, pois estou com José de
Alencar, Theodoro Sampaio e outros auctores que sacramentaram aquella
convenção que Nogueira chama de "pouco acceitavel" mas que eu considero
plenamente acceitavel. Passemos, pois, ao poncto que nos interessa, que
é o caminho mais curto para nos habituarmos ao "Y" dos hellenismos. Tal
como numa tabuada arithmetica, a memorização é indispensavel a um
vocabulario basico, seja no quotidiano ou no meio scientifico. Termos
como CYCLO, HYPO ou TYPO são fundamentaes, inclusive nas formas
derivadas como BICYCLETA, ENCYCLOPEDIA, RECYCLAGEM, HYPOTHESE,
HYPOGLYCEMIA, TYPOGRAPHIA, ESTEREOTYPO ou LINOTYPIA. Sempre chamo a
attenção para a differença entre as palavras HYPOTHESE e HIPPODROMO, que
os phoneticistas confundem na forma simplificada "HIPÓ..." mas que nossa
boa orthographia preserva. Abbaixo listo cem matrizes characteristicas
que integram um glossario mais completo, constante do meu DICCIONARIO
ORTHOGRAPHICO.


ABYSSO "precipicio" em ABYSSOPHOBIA, ABYSSAL
AMBLY "fracco", "molle" em AMBLYOPIA, AMBLYGONO
ARGYRO "prata" em ARGYROCRACIA, HYDRARGYROPHOBIA
BARY "pesado", "grave" em BARYPHONICO, BARYTONO
BATHY "profundo" em BATHYSPHERA, BATHYSCAPHO
BRACHY "curto" em BRACHYCEPHALO, BRACHYCARPO, BRACHYDACTYLO
BRADY "lento" em BRADYCARDIA, BRADYPHASIA
BUTYRO "manteiga" em BUTYROMETRO, BUTYRACEO
CALYPTO "coberto" em CALYPTOBRANCHIO, EUCALYPTO
CAMPYLO "curvo" em CAMPYLOTROPO, CAMPYLOPHYTO, CAMPYLOMORPHO
CHLAMYDO "manto", "involucro" em CHLAMYDOSPORIO, DICHLAMYDEO
CHRYSO "ouro" em CHRYSOGRAPHIA, CHRYSOSTOMO
CHYLO "succo" em CHYLOPHYLLO, CHYLOPHYTO
CHYMIO "liquido", "succo" em CHYMIOTHERAPIA, ALCHYMIA, CHYMICA
CLYSE [ou CLYSMO] "lavagem" em AUTOCLYSE, AUTOCLYSMO, HYSTEROCLYSE
CONCHYLIO "concha" em CONCHYLIOLOGIA, CONCHYLIOPHORO
CONDYLO "inchaço" em CONDYLOMATOSO, EPICONDYLIANO
CORYPHO "cume", "cymo" em CORYPHODONTE, CORYPHEU
COTYLO "cavidade", "vaso" em COTYLOPHORO, COTYLEDONE
CRYO "frio" em CRYOSTATO, CRYOPHOBIA [ou PSYCHRO]
CRYPTO "occulto" em CRYPTOGRAMMA, CRYPTOCOMMUNISTA, CRYPTONYMO
CYANO "azul" em CYANOCEPHALO, CYANICORNEO
CYCLO "redondo", "circular" em CYCLOTHYMICO, TRICYCLO [ou GYRO]
CYGNO "cysne" em CYGNOPHILIA, CYGNOPHOBIA
CYNO "cão" em CYNOCEPHALO, CYNOPHILO
CYSTO "bexiga", "bolha" em CYSTITE, FIBROCYSTO, CYSTICERCO
CYTO "cellula" em LEUCOCYTO, PHAGOCYTOSE
DACTYLO "dedo" em PTERODACTYLO, DACTYLOGRAPHIA
DIDYMO "duplo", "gemeo" em DIDYMOCARPO, PYGODIDYMO
DIPHYO "duplo" em DIPHYODONTE [ou DIDYMO]
DORY "arvore", "galho", "lança" em DORYOPTERO, DORYTOMO
DYNAMO "força", "potencia" em DYNAMOMETRO, DYNAMITE
DYS "falta", "difficuldade" em DYSLEXIA, DYSFUNCÇÃO, DYSPEPSIA
ELYTRO "involucro", "vagina" em ELYTRORRHAGIA, ELYTRITE
EMBRYO "feto" em EMBRYOLOGIA, EMBRYONARIO
ERYTHRO "vermelho" em ERYTHROCARPO, ERYTHROCYTO
ESPONDYLO "vertebra" em ESPONDYLOSE, ESPONDYLOZOARIO
ETYMO "verdadeiro", "certo" em ETYMOLOGIA, ETYMOGRAPHIA
EURY "largo", "extenso" em EURYCEPHALO, EURYCLIDES
GEPHYRO "atterro", "ponte" em GEPHYROPHOBIA
GLYCO "doce" em GLYCOSE, HYPOGLYCEMIA
GLYPHO "gravar", "entalhar" em HIEROGLYPHO, LITHOGLYPHIA
GONY "joelho" em GONYALGIA, GONYCELE
GRYPHO "rede", "malha" em LOGOGRYPHO, GRYPHAR
GYMNO "nudez" em GYMNOSPERMA, GYMNASTICA
GYNO [ou GYNECO] "mulher" em MISOGYNO, GYNECOLOGIA
GYPSO "gesso", "molde" em GYPSOGRAPHIA, GYPSIFERO
GYRO "circulo", "rotação" em GYROMANCIA, AUTOGYRO [ou CYCLO]
HYALO "vidro" em HYALOGRAPHIA, HYALOPHOBIA
HYDRO "agua" em HYDROMETRO, DESHYDRATAR [ou LYMPHO]
HYGIO "saudavel" em HYGIOLOGIA, HYGIENICO
HYGRO "molhado" em HYGROPHOBIA, HYGROMETRO
HYPER "accyma" em HYPERACIDEZ, HYPERBOLE, HYPERTENSÃO
HYPNO "somno" em HYPNOTISMO, HYPNOPHOBIA
HYPO "abbaixo" em HYPOCRITA, HYPOGASTRICO, HYPOTHESE
ICHTHYO "peixe" em ICHTHYOLOGO, ICHTHYOPHAGO
LARYNGO "garganta" em LARYNGOGRAPHIA, LARYNGOPHONIA
LYCO "lobo" em LYCOPODE, LYCANTHROPIA
LYMPHO "agua" em LYMPHORRHAGIA, LYMPHATICO [ou HYDRO]
MERYCO "ruminante" em MERYCOLOGIA, MERYCISMO
MOLYBDO "chumbo" em MOLYBDATO, MOLYBDENIO, MOLYBDOMANCIA
MYCO "fungo" em MYCOBACTERIA, MYCOSE
MYELO "medulla" em MYELOGRAMMA, MYELOMA
MYO "musculo" em MYOGRAPHIA, MYOCARDIO, MYALGIA
MYRIA "muitos" em MYRIAMETRO, MYRIAPODE
MYRMECO "formiga" em MYRMECOPHAGO, MYRMECOPHOBIA
MYTHO "fabula" em MYTHOLOGIA, MYTHOMANIA
NYCTO "noite" em NYCTOPHOBIA, NYCTURIA
NYMPHO "noiva" em NYMPHOMANIA, NYMPHOPHOBIA
ODYNIA [ou ODYNO] "dor" em ANODYNO, CRYMODYNIA
ONYCHO "unha" em ONYCHOMANCIA, ONYCHOPHAGIA
ONYMO "nome" em PSEUDONYMO, SYNONYMO
ORYZO "arroz" em ORYZOPHAGO [ou RYZI]
OXY "agudo", "acido" em OXYMORO, INOXYDAVEL
PACHY "espesso" em PACHYDERME, PACHYCEPHALO
PECHY "cotovello" em PECHYAGRA, PECHYALGIA
PHYLLO "folha" em PHYLLODENDRO, CHLOROPHYLLA
PHYSIO [ou PHYSE] "natureza", "character" em PHYSIOTHERAPICO, APOPHYSE
PHYTO "planta" em PHYTOCHYMICA, PHYTOTHERAPIA
PLATY "chato", "largo" em PLATYPODE, PLATYCEPHALO
POLY "numeroso" em POLYSEMIA, POLYTHEISMO, POLYSYLLABO
PORPHYRO "purpura" em PORPHYROLITHO, PORPHYRIO
PRESBY "velho", "senil" em PRESBYOPIA, PRESBYPHRENIA
PSYCHO "espirito", "mente" em PSYCHOPATHIA, PSYCHOSOMATICO
PSYCHRO "frio" em PSYCHROMETRO, PSYCHROPHOBO [ou CRYO]
PTYALO "saliva" em PTYALAGOGO, PTYALINA
PYGO "nadega", "trazeiro" em CALLIPYGIO, PYGODIDYMO
PYO "puz" em PYORRHAGIA, EMPYOSE
PYRO "fogo" em PYROTECHNICO, PYROMANIACO
RHYNCHO "bicco" em RHYNCHOCEPHALO, ORNITHORHYNCHO
RYZI "arroz" em RYZICULTOR [ou ORYZO]
SYM [ou SYN] "com", "juncto" em SYMPATHIA, SYNTONIA
TACHY "rapido" em TACHYGRAPHO, TACHYCARDIA
THYMO "emoção", "affectividade" em CYCLOTHYMICO, DYSTHYMICO
TYLO "callo" em TYLOSE, TYLOPODE
TYPHLO "cego" em TYPHLOGRAPHIA (Braille)
TYPO "marca", "impressão" em TYPOGRAPHIA, ESTEREOTYPO
TYRO "queijo" em TYROMANCIA, TYROPHAGO
XYLO "madeira" em XYLOGRAVURA, XYLOPHONE
ZYMO "fermento" em ZYMOTHERMIA, AZYMO, ENZYMA


Em summa, nem todo som de "I" em palavra de origem grega precisa levar
um "Y", mas os casos mais relevantes a gente accaba sabendo de cor:
APOCALYPSE tem, mas ECLIPSE não; POLYGRAPHO tem, mas POLITICO não;
ANEURYSMA tem, mas CHARISMA não; HYPOCRITA tem, mas HIPPOCRATES não;
PODOPHYLLO tem, mas PODOPHILO não; CYNOPHILO tem, mas CINEPHILO não;
TYRANNICO tem, mas TITANICO não; GYPSIFERO tem, mas CHIASTOLIFERO não,
lembrando que, neste ultimo exemplo, o pospositivo FERO é de origem
latina.


O importante é ter em mente que a quantidade de vocabulos desse typo é
muito menor que a de latinismos de uso corrente, o que significa maior
desempenho mnemonico em pouco tempo para quem ainda não tem a practica
diuturna da escripta etymologica. Nada, portanto, que desestimule um
orthographo principiante como o nosso Euclydes. Na proxima postagem
tractaremos do "PH".


Aos interessados deixo o link para um menu na nuvem donde podem baixar
os archivos do DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO e de outras obras pertinentes.


https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0


///

sábado, 2 de abril de 2016

ABRIL/2016: ANTHROPOPHAGIA SIM, MAS COMMEDIMENTO NA COMIDA



Um internauta que, como eu, é fascinado por quaesquer opportunidades de
justificar o emprego de consoantes geminadas, questiona-me si, com base
nas formas italianas ALLEGRO ou COMMEDIA, não seria o caso de, por
analogia, adoptarmos taes geminações nos equivalentes portuguezes ALEGRE
e COMEDIA. E elle extende ao inglez sua hypothese, citando palavras como
MULATTO e TOBACCO, para propor que usemos lettras duplicadas nas formas
lusophonas MULATO e TABACO.


Para responder, tenho que ir por partes. O italiano é um idioma
historicamente mais phonetico que etymologico, como tantas vezes ja
lembrei. O facto de que na Italia existam verbos como APPLAUDIRE ou
SUPPLICARE, parentes directos dos nossos APPLAUDIR e SUPPLICAR, não nos
auctoriza a suppor que la elles preservem certas duplicações por amor à
etymologia. Os italianos tambem usam dois "LL" em ALLEGORIA, como nós,
mas não são os mesmos dois "LL" que utilizam na palavra ALLEGREZZA,
equivalente da nossa ALEGRIA, que, ao contrario de ALLEGORIA, não tem
origem grega e sim latina. Note-se que, alem dos dois "LL", a palavra
leva dois "ZZ", indicando uma funcção nitidamente prosodica e não uma
preoccupação propriamente orthographica. Para complicar um pouco as
coisas, reconhesço que, no nosso vernaculo, tambem se registra a forma
historica ALLEGRE, mas a origem tem a ver com ALACRIDADE e com o
adjectivo ALACRE, sempre com um só "L" nas fontes latinas. Voltando à
questão inicial, não é porque o italiano escreve REPUBLICA com dois "BB"
que vamos imitar tal practica, a qual é peculiar apenas àquella lingua.
Nossas bases etymologicas precisam ter um minimo de sustentação em
parallelismos com outros idiomas derivados do latim e do grego, como no
caso de vocabulos typo APPLAUSO, SUPPLICA ou ALLEGORIA, mas em casos
como COMEDIA (latim COMOEDIA) ou ALEGRE (latim ALACRIS/ALECRIS) não vejo
motivos para forçar a barra. Quanto às formas anglophonas MULATTO e
TOBACCO, a primeira vem do proprio portuguez, onde só leva um "T", e a
segunda do hespanhol, onde só é graphado com um "C". As duplicações "TT"
e "CC" vão, no caso, por compta dos mechanismos prosodicos do proprio
inglez. Acho que não seria o caso de, meramente por espirito imitativo,
seguirmos esses parametros. Sou o primeiro a suggerir geminações
plausiveis e fundamentadas, como em ABBRAÇO ou TORNOZELLO, mesmo quando
não accolhidas pelos lexicographos mais referenciaes, mas não posso
cahir em temptações appressadas. Sempre recommendo uma adveriguação
etymologica para cada palavra extrangeira que queiramos confrontar com
uma equivalente nossa. Como ninguem precisa ter em casa os principaes
diccionarios de cada idioma, a solução mais practica e technica dos
tempos actuaes é mesmo o cyberespaço, lembrando que, na internet, convem
quotejar duas ou mais fontes antes de tomar alguma informação por
fidedigna. Ao meu attento leitor, que ja se alegrava com uma comedia
mais feliz, suggiro que applaudamos as espectaculares scenas graphicas
deste nosso phantastico idioma e não suppliquemos que os philologos
approvem appropriações extranhas só por causa da belleza (e não da
BELLEZZA) das formas italianas. Calma, que o Brazil com "Z" sempre foi
nosso, antes de ser inglez...


Outro internauta, sciente da minha opinião liberal quanto ao
apportuguezamento de extrangeirismos, indaga-me accerca de certos
derivados do inglez. Pergunta elle: si temos, de ROCK, ROCKEIRO, como
seria o equivalente de RAP, RAPEIRO ou RAPPEIRO? O proprio ROCKEIRO
poderia ser ROQUEIRO? E o MARKETEIRO, poderia ser MARQUETEIRO? E o verbo
ESCANNEAR, deveria ser ESCANEAR? E os verbos XEROCAR e SAMPLEAR? Quer
que eu opine sobre tudo isso e faça um appanhado.


Então vejamos. Em principio, defendo a liberdade de excolha do escriptor
quanto à adopção do anglicismo original ou duma forma apportuguezada. Ja
fiz algumas resalvas para certos casos com os quaes implico, como o
injustificavel termo HASHTAG, mas tirando as idiosyncrasias não sou de
xenophobias linguisticas. Assim, para mim tanto faz escrevermos SPORT ou
STRESS como SPORT ou ESTRESSE. Nada de problematico, portanto, quanto a
derivados como ESPORTISTA [ESPORT(E)+ISTA] ou ESTRESSAR [ESTRESS(E)+AR],
ja que o "miolo" original permanesce intacto. No caso de ROCK+EIRO,
prefiro manter o digramma "CK" e grapho ROCKEIRO em vez de ROQUEIRO. No
caso de RAP+EIRO, prefiro RAPEIRO mesmo e não RAPPEIRO (de RAPPER).
Entre MARKETEIRO e MARQUETEIRO, prefiro com "K", mais fiel ao original
MARKETING. De SCANNER e SAMPLER acho natural que derivem os verbos
ESCANNEAR e SAMPLEAR. Até de XEROX acceito XEROCAR, mais como um
colloquialismo, uma vez que ficaria extranhissimo usar XEROXAR. Em
geral, evito mexer nos infixos ou "miolos" dos anglicismos, liberando o
emprego apportuguezado dos suffixos typo "AR", "EIRO" ou "ISTA". Assim,
grapho normalmente termos como:


ATTACHAR [ATTACH+AR], que tem optima opção vernacula em ANNEXAR
BULLYINGAR [BULLYING+AR]
CHECKAR [CHECK+AR], ja popularizado tambem como CHECAR
CLICKAR [CLICK+AR], ja popularizado tambem como CLICAR
COPYDESKAR [COPYDESK+AR]
CUSTOMIZAR [CUSTOM+(IZ)AR]
DRIBBLAR [DRIBBL(E)+AR]
HACKEAR [HACKE(R)+AR]
PLUGAR [PLUG+AR]
PRINTAR [PRINT+AR]
TWITAR [TWIT+AR]
ZAPEAR [ZAP+(E)AR]
BASKETEIRO [BASKET+EIRO]
BLOGUEIRO [BLOG+(U)EIRO] em vez de BLOGGUEIRO
DOGUEIRO [(HOT)DOG+(U)EIRO]
DOLLEIRO [DOLL(AR)+EIRO]
FUNKEIRO [FUNK+EIRO]
TWITEIRO [TWIT+EIRO], em vez de TWITTEIRO (de TWITTER)
BONDAGISTA [BONDAG(E)+ISTA]
GOLFISTA [GOLF+ISTA]
JAZZISTA [JAZZ+ISTA]
SKATISTA [SKAT(E)+ISTA]
SURFISTA [SURF+ISTA]
TENNISTA [TENNIS+(IS)TA]


Para illustrar o assumpto, transcrevo entre chaves o topico respectivo
no MANUAL ORTHOGRAPHICO BRAZILEIRO de Julio Nogueira, lembrando que, na
decada de 1920, muitos termos hoje totalmente apportuguezados ainda eram
novidade, emquanto os termos mais technologicos actuaes nem existiam ou
siquer tinham uso corrente. Nogueira basicamente reaffirma a tendencia
mais generalizada de admittir os anglicismos quando não haja exacta
equivalencia no vocabulario vernaculo. Nessa linha, concordo que é mais
razoavel preservar a forma original do que "forçar a barra" em
apportuguezamentos imitativos apenas da pronuncia, como DESAINE ou
DAULOUDE em logar de DESIGN ou DOWNLOAD.


{É impossivel estabelescer um criterio uniforme no tractamento das
palavras extranhas à lingua e que nella se fixaram. O caturrismo
implacavel mas innocuo de certos professores ou suppostos arbitros da
lingua tem querido vestir estas palavras de roupagens vernaculas,
affeiçoando-as systematicamente aos moldes e ao genio da lingua
portugueza. Esse proposito de nacionalização não medra e os emprestimos
das linguas extrangeiras continuam a seguir vario destino, ora
adjeitando-se a nossa phonologia, e representação graphica, ora
conservando-se intactos no seu aspecto nativo. Um observador imparcial
desse phenomeno reconhescerá nelle as mesmas duplicidades, as mesmas
incoherencias de outros phenomenos da linguagem e um codigo sensato não
pode ter outro intuito sinão registrar os factos, submisso às injuncções
populares e às correntes vencedoras, que tudo suffocam e submettem. O
futuro codigo orthographico da lingua tem, pois, de considerar duas
classes de palavras extrangeiras: [I] a constituida pelas que conservam
a sua morphologia intacta e pronunciamos ou tentamos pronunciar como nas
linguas de origem, taes sejam: AVALANCHE, BEEF-STEAK, BILL, BONNET,
BOUQUET, BOX, BREAK, BULL-DOG, CHAMPAGNE, CHAUFFEUR, CLOWN, CLUB, COKE,
CRAYON, CROQUETTE, CRUP, CUTTER, DOLLAR, ÉLITE, ENVELOPPE, FOOT-BALL,
GIM, GRENAT, GROG, GROOM, HIGH-LIFE, KIRSCHE, LAVABO, LUNCH, MADAME,
MARQUISE, MASSACRE, MATINÉE, MAYONNAISE, MEETING, MÉNAGE, NICKEL,
NUANCE, PALETOT, PICK-POCKET, PIC-NIC, ROBE, ROAST-BEEF, REPORTER, RHUM,
SCOUT, SOIRÉE, SPLEEN, SPORT, STEAPLE-CHASE, THALER, THALWEG, TOAST,
TOILETTE, TOURNÉE, TUNNEL, TURF, WHISKY. [II] a das palavras que
soffreram modificações mais ou menos profundas na sua morphologia e que
pronunciamos com variantes prosodicas mais ou menos appreciaveis, taes
como: BAIONNETA, BEBÊ, CHEQUE, CROQUE, DIQUE, DUCHA, ECLUSA, ETAPA,
FELDSPATHO, PUDDIM, QUARTZO, REDINGOTE, RICOCHETE, SUTACHE, TRENÓ,
TURISTA, VAGÃO, VALSA, VINHETA, ZUAVO. Em que pese aos irreductiveis
puristas, que num trabalho vão, tentam embargar-lhes o passo ou propõem
substituições artificiaes e inviaveis, esses emprestimos representam
contribuição appreciavel da linguagem portugueza. É preciso, pois, saber
qual deve ser a sua graphia, sejam adaptações, sejam formas puras de
idiomas extrangeiros. No glossario com que rematamos o presente ensaio
orthographico nada mais fazemos do que registrar essas palavras na sua
forma definitiva e mais generalizada. Incluimos apenas os
extrangeirismos com que ja nos achamos familiarizados, os de uso
incontestavel e que ja se tornaram, por assim dizer, necessarios aos
nossos habitos.}


Observo que o glossario a que Nogueira allude é o que consta de seu
MANUAL e não corresponde necessariamente ao criterio que adopto ao
verbetar alguns extrangeirismos em meu proprio diccionario.


Aos interessados deixo o link para um menu na nuvem donde podem baixar
os archivos do DICCIONARIO ORTHOGRAPHICO e de outras obras pertinentes.


https://www.dropbox.com/sh/m8jq3615v16g2zt/AACEKn9GzBQUpQmyutQU6Bnha?dl=0


///